Papa busca apoio de mulçumanos para defender valores morais

Bento XVI mostrou arrependimento em relação ao seu discurso de 2006 que dizia que Islã é violento e irracional

Reuters

06 Novembro 2008 | 12h49

O papa Bento XVI conclamou líderes mulçumanos e estudiosos nesta quinta-feira, 6, a se aliar aos cristãos na defesa dos valores morais e do respeito pelos direitos humanos, apesar de diferenças teológicas entre eles. O pontífice disse que é preciso "unir esforços para superar os mal-entendidos, os desacordos e os preconceitos do passado" e respeitar as crenças de cada um.     Veja também: Muçulmanos convertidos exigem o direito de mudar de religião Bento XVI discute pontos em comum com delegação muçulmana Católicos e muçulmanos se reúnem no Vaticano Em uma audiência sem precedentes no Vaticano, o papa recebeu uma delegação de 29 mulçumanos do Oriente Médio, África, Ásia e países do ocidente que estimularam no último ano igrejas cristãs a redobrarem esforços para melhorar as relações interconfessionais. A reunião aconteceu dois anos após o papa sugerir, em discurso, que o Islã é violento e irracional. O discurso provocou protestos de ira no Oriente Médio. Os mulçumanos então formaram um grupo para debater a polêmica e buscar um entendimento mútuo.   Bento XVI expressou remorso por suas declarações de 2006. "Amigos, vamos unir esforços, animados pela vontade de nosso senhor, para superar todos os desentendimentos", disse. "Vamos resolver os preconceitos do passado e corrigir as imagens distorcidas que temos uns dos outros, que até hoje criam dificuldades de relacionamento."   "Há um grande e vasto campo onde podemos agir juntos, defendendo e promovendo os valores morais que partilhamos", disse o papa nascido na Alemanha aos seus convidados, incluindo 29 especialistas católicos que participaram de conversações à portas fechadas com mulçumanos nos últimos dois dias.   Fotos: Reuters "Nós podemos trabalhar juntos em promover o respeito genuíno pela dignidade do ser humano e os direitos humanos fundamentais, mesmo que nossas visões antropológicas e nossas teologias justifiquem isso de diferentes maneiras".   O Papa ressaltou que as duas religiões "adoram um único Deus" e, justamente por isso, devem "se unir como membros de uma só família: a família humana criada por Deus, ainda que vejamos de modo distinto temas referentes a Deus".   Bento XVI indicou que as "perseguições são atos injustificáveis", e que elas são "ainda mais deploráveis se realizadas em nome de Deus". Esta reunião, intitulada de "Um mundo comum" é um dos muitos encontros que o Vaticano tem feito com mulçumanos. O Vaticano também participou da reunião interconfessional lançada este ano pelo rei saudita Abdullah, que irá se encontrar na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na próxima semana com outras autoridades para promover essa iniciativa.   (Com Ansa e AP)

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