Papa critica conduta de bispos dos EUA em casos de abuso sexual

Bento 16 diz que resposta a escândalos de pedofilia foi mal administrada.

Da BBC Brasil, BBC

17 de abril de 2008 | 03h05

Em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, o papa Bento 16 criticou os bispos americanos pela maneira como trataram os escândalos de abuso sexual de menores envolvendo padres, afirmando que sua resposta à crise foi algumas vezes insatisfatória.Ao mesmo tempo, o papa colocou parte da culpa pela crise dos casos de pedofilia - pelos quais se disse "profundamente envergonhado" - na "ruptura de valores" da sociedade americana.O papa disse esperar que o que ele chamou de "momento de julgamento" possa ajudar a purificar a Igreja.As declarações de Bento 16 foram feitas na noite desta quarta-feira, em Washington, durante uma missa com a presença de centenas de bispos americanos."O que significa falar de proteção à infância quando a pornografia e a violência podem ser vistas em tantos lares através dos meios de comunicação amplamente acessíveis hoje em dia?", questionou o papa durante a celebração."Responder a essa situação não foi fácil e, como o presidente de sua conferência episcopal indicou, foi algumas vezes muito mal administrado."Bento 16 se referia a declarações feitas antes pelo cardeal Francis George, de Chicago, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.O cardeal americano havia dito que as conseqüências dos escândalos de pedofilia na Igreja Católica nos Estados Unidos e a maneira insatisfatória como o tema foi tratado pela hierarquia da Igreja "tornam tanto a fé pessoal de alguns católicos como a vida pública da própria Igreja mais problemáticas".Os primeiros escândalos sobre abusos sexuais cometidos por padres nos Estados Unidos vieram a público em 2002. Nos últimos anos, a Igreja Católica gastou US$ 2 bilhões em indenizações para as vítimas de abusos sexuais nos Estados Unidos, mas muitos ativistas criticam o suposto acobertamento dos autores de crimes, que teriam sido transferidos para outras dioceses, em vez de denunciados de imediato. Durante o vôo que o levou aos Estados Unidos, o papa já havia abordado a questão. "É mais importante ter bons padres que muitos padres", disse Bento 16 a jornalistas. "Faremos o possível para curar esta ferida." VisitaO papa, que completou 81 anos nesta quarta-feira, foi recebido na Casa Branca pelo presidente americano, George W. Bush, e por milhares de convidados, sob uma salva de 21 tiros e sob os cantos de "Parabéns a você". Esta é a primeira visita de um papa à Casa Branca em 30 anos.Bush, que em seguida partiu junto com Bento 16 para um almoço fechado com a participação dos 17 cardeais dos Estados Unidos, disse que a mensagem papal de que "Deus é amor" é necessária para evitar a disseminação do "fanatismo" e do "terrorismo". Bento 16 respondeu afirmando que é um "amigo dos Estados Unidos", e pediu aos americanos que usem sua fé para inspirar "um diálogo sensato, responsável e respeitoso". O correspondente da BBC em Roma, David Willey, que viaja com o papa, disse que Bento 16 evitou fazer qualquer referência direta à guerra no Iraque ou a atual campanha presidencial nos Estados Unidos.No entanto, segundo Willey, o papa fez uma referência ao "trágico sacrifício de vidas humanas" causado por conflitos passados e, por conseqüência, pela atual guerra no Iraque.O assuto foi discutido em uma reunião particular entre o pontífice e o presidente americano. Segundo a Casa Branca, os dois líderes manifestaram preocupação com o sofrimento da minoria cristã no Iraque.Em uma declaração conjunta, eles afirmaram esperar por uma solução rápida para a crise no Oriente Médio.Na declaração, também se referiram à "necessidade de uma política coordenada" de imigração.À noite, foi realizado na Casa Branca um jantar de gala em homenagem à visita do papa - mas Bento 16 não compareceu, por causa da missa que celebrou em Washington. O papa também vai visitar Nova York, onde deverá celebrar uma missa no Estádio dos Yankees e fazer um discurso na Assembléia Geral da ONU.No domingo, Bento 16 deve visitar o local dos ataques de 11 de setembro de 2001.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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