Papa critica tráfico de órgãos e faz alerta sobre transplantes

Para pontífice, é preciso ter cautela ao remover órgãos pois os doadores podem ainda não estar mortos

Reuters

07 Novembro 2008 | 15h10

O papa Bento XVI condenou o tráfico de órgãos humanos, chamando-o de ato abominável nesta sexta-feira, 7, e pediu cautela na hora de remover órgãos para transplantes, pois os doadores podem ainda não estar mortos.     Veja também: Papa se opõe à criação de embriões como 'material terapêutico' Igreja protesta contra concessão de patentes de células-tronco Para Vaticano, morte cerebral não caracteriza mais a morte O pontífice disse, em um encontro de cientistas e bioéticos na Academia Pontifícia pela Vida, que as vítimas do tráfico ilegal de órgãos geralmente são pessoas inocentes, inclusive crianças. A compra e venda de órgãos humanos é um negócio lucrativo para os fornecedores e países que permitem que "turistas de transplante" estrangeiros façam operações que não poderiam fazer em casa. Os órgãos são comumente comprados de camponeses pobres e de prisioneiros condenados. "Os abusos no transplante e tráfico de órgãos, que geralmente vitimizam pessoas inocentes como as crianças... devem ser condenados decididamente como abominações", disse. O papa chamou a doação legal de órgãos de ato de amor e disse que há longas listas de espera por órgãos vitais. A ciência ajudou a determinar melhor o momento da morte, afirmou o papa, e os cientistas devem continuar trabalhando para torná-lo ainda mais preciso. "Não deve haver a menor suspeita de arbitrariedade. Onde não for possível verificar, o princípio da precaução deve prevalecer", afirmou. Autoridades de saúde estimam que 10% dos rins transplantados no mundo todo são obtidos ilegalmente. O restante vem de doadores com morte cerebral ou pessoas que doam um dos rins a um parente. No discurso, o papa não discutiu a concepção da Igreja sobre o momento da morte, algo que os bioéticos querem delimitar a fim de evitar abusos. Um artigo recente no jornal L'Osservatore Romano, do Vaticano, desafiou o consenso médico de que a morte cerebral marca o fim da vida de alguém. Já que o cérebro pode morrer antes de outros órgãos, isso permite que os órgãos sejam retirados para transplante. (Reportagem de Tom Heneghan)

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