Papa diz que deseja uma 'Igreja pobre e para os pobres'

O papa Francisco, dando sua maior indicação até agora de que quer uma Igreja católica mais austera, disse no sábado que gostaria que a Igreja fosse pobre e que sua missão deve ser focada em servir os pobres.

PHILI, Reuters

16 de março de 2013 | 13h34

O papa, falando na maior parte de improviso e sorrindo muito, fez o comentário em uma audiência com jornalistas, explicando porque escolheu o nome de São Francisco de Assis, o santo que é um símbolo de austeridade, paz e pobreza.

Ele se referiu a Francisco como "o homem que nos dá esse espírito de paz, um homem pobre", e acrescentou: "como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres".

Desde a sua eleição na quarta-feira como o primeiro papa não europeu em quase 1.300 anos, Francisco deu sinais de uma grande mudança de estilo com relação a seu antecessor, Bento, e expôs um caminho moral nítido para os cerca de 1,2 bilhão de fiéis da Igreja que está sendo atingida por escândalos, intrigas e rixas.

Ele agradeceu aos milhares de jornalistas que cobriram sua eleição, convidando-os a "sempre entender melhor a verdadeira natureza da Igreja, e mesmo sua jornada no mundo, com suas virtudes e com seus pecados".

Ele pediu aos jornalistas que buscassem a "verdade, a bondade e a beleza" no mundo e na Igreja.

Francisco estabeleceu um tom moral forte e deu sinais claros de que vai levar novas normas para o papado atingido por crises, favorecendo a humildade e a simplicidade sobre a pompa e a grandeza.

Ele relembrou como na noite de quarta-feira, à medida que recebia mais e mais votos no conclave, o cardeal sentado ao seu lado, o brasileiro Claudio Hummes, confortou-o "porque a situação se tornou perigosa".

Depois que a votação atingiu a maioria de dois terços que o elegeu, o aplauso irrompeu. Hummes, de 78 anos, então o abraçou e lhe disse: "Não se esqueça dos pobres", contou o papa, sempre gesticulando com as mãos.

"Aquela palavra entrou aqui", ele acrescentou, apontando para sua cabeça.

Enquanto a votação formal continuava, o papa lembrou: "Eu pensei nas guerras... e Francisco (de Assis) é o homem da paz, e foi assim que o nome entrou em meu coração, Francisco de Assis, para mim ele é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege os outros".

Foi o último indício de que o papa queria que a Igreja mundial assumisse um estilo austero.

Na noite em que foi eleito, ele descartou a limusine papal e viajou de ônibus com outros cardeais. Ele foi até o hotel administrado pela Igreja onde tinha se hospedado antes do conclave e insistiu em pagar a conta.

Francisco, o antigo cardeal Jorge Bergoglio, também pediu aos argentinos que não fizessem viagens caras para Roma para vê-lo, e que invés disso dessem o dinheiro aos pobres.

RESPEITO À NATUREZA

São Francisco de Assis, que morreu em 1226, renunciou à fortuna da família em troca de uma vida de caridade e pobreza e também é reverenciado por ambientalistas porque amava a natureza e pregava aos animais.

"Hoje não temos uma relação muito boa com a criação", disse o papa.

Ele falou que os católicos deveriam se lembrar de que Jesus, não o papa, era o centro da Igreja. No fim de seu discurso, passando do italiano para o espanhol, ele também fez um gesto para os não crentes e membros de outras seitas.

"Eu lhes disse que estaria disposto a lhes dar uma bênção. Já que muitos de vocês não pertencem à Igreja católica e outros são não crentes, do fundo do meu coração eu dou essa bênção silenciosa para cada um de vocês, respeitando a consciência de cada um de vocês, mas sabendo que cada um é um filho de Deus.

"Que Deus abençoe todos vocês", ele disse.

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