Papa é argentino mas Deus é brasileiro, diz Dilma após encontrar pontífice

A presidente Dilma Rousseff, primeira chefe de Estado a ser recebida pelo papa Francisco após a missa inaugural do pontífice, brincou nesta quarta-feira que os argentinos têm sorte pela escolha de um papa de seu país, "mas Deus é brasileiro".

Reuters

20 de março de 2013 | 11h18

O encontro de Dilma com o argentino Jorge Mario Bergoglio, eleito papa no conclave da semana passada, durou cerca de 20 minutos no Palácio Apostólico do Vaticano. A audiência foi bem-humorada e o papa Francisco falou "portunhol", contou Dilma a jornalistas após a audiência.

"Ele disse que está com o Brasil e com a América Latina. É um papa muito normal. Ele fala um portunhol e entende o português", disse a presidente, segundo a Agência Brasil.

Questionada por um jornalista sobre o que pensa de o papa ser argentino, Dilma respondeu com bom humor: "Vocês, argentinos, têm muita sorte. A gente sempre diz: o papa é argentino, mas Deus é brasileiro."

O papa, que iniciou oficialmente o pontificado a partir da missa inaugural na terça-feira, disse à presidente que pretende visitar a cidade de Aparecida, em São Paulo, onde fica a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, após participar da Jornada Mundial da Juventude em julho, no Rio de Janeiro.

A Basílica de Aparecida, considerada o maior santuário do mundo dedicado a Maria, recebeu em 2007 a 5ª Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

O então cardeal argentino Jorge Bergoglio participou da conferência, assim como o agora papa emérito Bento 16.

Dilma disse que o papa lembrou da visita a Aparecida na conversa com ela, e a presenteou com um livro resultante da conferência. A presidente contou que o papa fez uma recomendação: "Não leia o livro todo."

"'Você não precisa ler tudo porque você pode se aborrecer, então você pega o índice e vai nos assuntos que te interessam', ele me disse", disse Dilma.

No encontro, Dilma e o papa também conversaram sobre a tragédia na boate de Santa Maria este ano, o combate às drogas na juventude e as políticas de enfrentamento à pobreza no Brasil. Segundo a presidente, o papa demonstrou conhecimento sobre os programas sociais do governo.

Em seu início de pontificado, Francisco, primeiro papa jesuíta e que escolheu o nome em homenagem a São Francisco de Assis, tem deixado claro que a prioridade da Igreja deve ser a proteção dos mais fracos.

"O papa é extremamente carismático e tem um compromisso com os pobres, o que torna a relação com o Brasil muito importante porque o governo brasileiro vem nos últimos dez anos... focando a questão da superação da pobreza", disse Dilma.

"Expliquei como é que estamos. Mas ele conhecia bem. Não houve surpresa, ele conhecia bastante bem", acrescentou.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

Tudo o que sabemos sobre:
RELIGIAOPAPAVISITAAPARECIDA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.