Papa Francisco fará 16 trajetos em carro aberto

A decisão de manter o contato direto com o povo foi do papa, que insiste que chegou o momento de a Igreja "sair" para as ruas. Em maio, o Vaticano chegou a divulgar que o veículo seria blindado, mas, ao saber, Francisco ordenou a mudança. Será a primeira vez que um papa circulará fora de Roma no jipe aberto em mais de 30 anos.

JAMIL CHADE E LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

21 de julho de 2013 | 08h09

No sábado (20), organizadores da viagem do papa no Vaticano se mostraram surpresos com as informações divulgadas anteontem no Rio pelas autoridades de que a chegada do pontífice havia sofrido mudanças e que, por exigência do papa, o carro fechado seria trocado por um aberto. O Vaticano negou que tenha havido mudanças e mostrou que em seu guia - pronto há uma semana - o trajeto em carro aberto sempre esteve previsto.

Procurados pela reportagem, os responsáveis no Rio pela organização do trânsito e da segurança durante a Jornada insistiram que houve, sim, alteração. Segundo eles, o passeio do papa pelo centro em carro aberto não estava previsto na agenda oficial do Vaticano enviada às autoridades brasileiras.

A segurança do papa tem colocado o Vaticano e as autoridades brasileiras em lados opostos. Nos últimos dias, os responsáveis pela segurança se esforçaram para convencer a Santa Sé a modificar os planos. Mas não houve sucesso. "Quem achar que pode decidir o que o papa fará está muito enganado", declarou um dos principais chefes de protocolo da organização da viagem.

Os 16 trajetos que Francisco fará durante a Jornada em seu papamóvel aberto terão durações diferentes. Alguns serão curtos, mas outros vão se prolongar por mais de 30 minutos. Um deles será de 20 minutos, entre o aeroporto de Aparecida e a Basílica, na quarta-feira. No mesmo dia, o papa estará uma vez mais no jipe, nos 3 km entre a Basílica e o Seminário Bom Jesus, por mais 15 minutos. Depois, mais uma transferência até seu helicóptero, com um trajeto de mais 4 km.

Estado menos ''fiel''

Na primeira viagem internacional, o papa Francisco desembarcará em uma das cidades com maior diversidade religiosa do País. Em comparação com o quadro nacional, o Rio tem menos católicos e mais evangélicos, espíritas, praticantes de umbanda e candomblé e também de pessoas sem religião. Nos grandes eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), Francisco terá oportunidade de visitar dois extremos: em Copacabana, na zona sul, verá a região com mais católicos e menos evangélicos da cidade. Em Guaratiba, na zona oeste, estará no território onde a proporção de fiéis das duas religiões mais se aproxima.

Enquanto, segundo o Censo 2010, a proporção de católicos no País é de 64,6%, na cidade do Rio é de 51,1%. O Estado do Rio é o menos católico do País, com menos da metade da população, 45,8%, dessa religião.

Em 2012, a socióloga Sílvia Fernandes fez uma pesquisa com católicos praticantes em algumas cidades fluminenses e, na capital, recolheu pistas para o afastamento da Igreja. "Os católicos cariocas veem o Rio como cidade cosmopolita, com atrações turísticas que podem afastar pessoas da religião. Assinalam ainda que há uma burocracia nas igrejas católicas que podem afastar fiéis. Eles citam que as igrejas funcionam em horário comercial, e qualquer serviço demanda marcação de hora", enumera. "A Igreja estaria perdendo o caráter de comunidade e funcionando como prestadora de serviço." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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