Papa Francisco quer d. Cláudio como 'braço-direito'

D. Cláudio Hummes poderá ocupar a partir de outubro um dos principais cargos da Cúria. Informações do alto escalão da Secretaria de Estado da Santa Sé indicam que o papa Francisco chamou d. Cláudio para Roma. Procurado pela reportagem, d. Cláudio negou: "Não estou sabendo de nada". Apesar da idade avançada e do fato de estar aposentado, a expectativa no Vaticano é de que o brasileiro aceite o convite do papa.

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL, E JOSÉ MARIA MAYRINK, Agência Estado

19 de julho de 2013 | 08h09

Dom Cláudio já ocupou cargo de "ministro" durante o pontificado de Bento XVI - foi prefeito da poderosa Congregação para o Clero. Ainda teve papel central na eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio para papa. Mobilizou votos e até sugeriu o nome Francisco, que o cardeal assumiria como pontífice. O argentino retribuiu desde o primeiro momento da eleição a amizade e levou d. Cláudio para o balcão da Basílica de São Pedro na noite que foi escolhido.

O pontífice teria oferecido duas opções ao brasileiro, diante das mudanças que começará a realizar a partir de outubro, quando se cercará dos aliados. Até hoje, a Cúria é ocupada pelos cardeais nomeados por Bento XVI.

As opções

Um dos cargos à disposição de Hummes seria o de decano do Colégio Cardinalício, ocupado pelo italiano Angelo Sodano desde 2005. O colégio é constituído por todos os cardeais e existe para ajudar e aconselhar o papa, tanto em temas da administração do Vaticano quanto em relação à fé.

O cargo de decano é ocupado depois de uma eleição. Mas o papa poderia sugerir o nome, o que definiria a votação - em 2002, João Paulo II nomeou para o cargo o sucessor, o então cardeal Ratzinger. Tradicionalmente, o decano e o papa tem consultas permanentes e pontífices nos últimos anos têm optado por escolher religiosos que sejam próximos.

Foi essa a atitude também de Bento XVI que justamente optou por Sodano, um amigo. Ele foi um dos poucos que soube da renúncia do papa alemão antes que fosse anunciada. Outro a saber foi o cardeal-camerlengo - cargo também sugerido a d. Cláudio. O titular do cargo responde pela transição na Igreja, caso o papa morra ou renuncie. O "papa interino" ainda deve administrar o Vaticano, constatar a morte do pontífice e definir o funeral, além de convocar o conclave. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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