Gregorio Borgia/AP
Gregorio Borgia/AP

Papa responde a perguntas do público na TV e celebra a Sexta-Feira Santa

Religião. Pela primeira vez, Bento XVI participa de programa da RAI que selecionou perguntas de uma muçulmana da Costa do Marfim, uma criança japonesa e uma mãe com filho em coma

, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

CIDADE DO VATICANO

No dia em que a Igreja Católica comemorou a Sexta-Feira Santa, o papa Bento XVI respondeu ontem a sete perguntas feitas por pessoas de diferentes países na TV, num programa de auditório transmitido pela Rádio e Televisão Italiana (RAI). Embora as respostas tenham sido gravadas com antecedência no Vaticano, foi a primeira vez que um papa manteve um diálogo televisionado com o público.

Entre os entrevistadores estavam uma mulher muçulmana da Costa do Marfim, uma criança japonesa e uma mãe com um filho em coma. Vestido de batina branca, em seu escritório, Bento XVI, de 84 anos, falava com voz suave, ao responder às perguntas selecionadas entre centenas recebidas de todas as partes do mundo.

Bento XVI associou à morte de Cristo, comemorada na Sexta-Feira Santa, o sofrimento que aflige a humanidade em vários países, especialmente no Japão, na África e no Oriente Médio. Ele afirmou que só a força do amor será capaz de acabar com a violência.

"Buscai a paz com os meios da paz", enfatizou o papa. Em resposta à muçulmana da Costa de Marfim, que lhe perguntou o que ele faria, "como embaixador de Jesus", para acabar com o conflito armado em seu país, o papa afirmou que o diálogo é o único caminho para sair das dificuldades. Bento XVI garantiu à mulher que o Vaticano está fazendo aquilo que lhe é possível e informou que enviou à Costa do Marfim um cardeal africano, escolhido entre seus colaboradores, "num esforço de mediação, para conversar com diversos grupos e pessoas, a fim de se tentar um novo começo".

Bento XVI comoveu-se com uma menina japonesa, de 7 anos, que chorava a morte de crianças de sua idade no terremoto e no tsunami de 11 de março. Ele lembrou a perseguição a cristãos no Iraque e consolou uma mãe italiana que está com o filho em coma vegetativo há dois anos.

"Ainda que continuemos tristes, Deus está ao nosso lado", disse à japonesinha Helena, que lhe perguntou por que as crianças tinham de ficar tão tristes. "Eu também me faço essas mesmas perguntas: por que é assim, por que se tem de sofrer muito, enquanto outras pessoas vivem tranquilas? Não tenho respostas, mas sabemos que Jesus sofreu como você, uma pessoa inocente."

Bento XVI apareceu na telinha da emissora estatal italiana duas horas antes do início da primeira das duas cerimônias que lembram a morte de Cristo - a Leitura da Paixão e a Adoração da Cruz, na Basílica de São Pedro, no meio da tarde, e a Via-Crúcis (Via Sacra), à noite, no Coliseu, onde centenas de cristãos dos primeiros tempos foram martirizados no Império Romano. A Sexta-Feira Santa é o único dia do ano em que não se celebra missa, porque a Igreja venera o Senhor Morto.

Além do cardeal Agostino Vallini, vigário da diocese de Roma, cujo bispo é o papa, vários convidados participaram da celebração, carregando uma cruz entre as 14 estações da Via-Sacra: uma família - casal com cinco filhos -, um doente acompanhado de enfermeiros, duas monjas agostinianas, dois frades da Terra Santa, uma família da Etiópia, um frade franciscano egípcio e uma moça também egípcia.

O texto das meditações e das preces deste ano foram escritos por Irmã Maria Rita Ciccione, da Ordem de Santo Agostinho, do Mosteiro dos Quatro Santos Coroados, de Roma. Ao final da cerimônia, Bento XVI dirigiu uma mensagem aos fiéis presentes e àqueles que seguiram a Via-Sacra pelo rádio e pela televisão. / JOSÉ MARIA MAYRINK, com AP e EFE

Tsunami do Japão

BENTO XVI

PAPA

"Ainda que continuemos tristes, Deus está sempre ao nosso lado"

(RESPONDENDO A UMA JAPONESA DE 7 ANOS)

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