Paquistão acusa ONU de intromissão em assuntos internos

Líderes de oposição se encontram para discutir como reverter crise política e estado de emergência no país

BBC Brasil, BBC

07 de novembro de 2007 | 03h20

O Paquistão acusou nesta terça-feira, 6, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, de se intrometer em assuntos internos do país. Na segunda-feira, Ban havia manifestado preocupação com o estado de emergência declarado pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf, no último sábado.  Veja também:Juiz deposto diz que é 'hora do sacrifício'Estado de emergência não é sustentável Partidos de oposição paquistaneses discutirão nesta quarta-feira como reverter a emergência, esperando aproveitar da reprovação internacional à detenção de centenas de advogados e opositores políticos.  Na capital do Paquistão, Islamabad, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto se reúne com outros líderes de oposição para discutir a situação. Ela afirmou que está pronta para se unir com todos os partidos políticos para lutar contra o estado de emergência.O embaixador do Paquistão na ONU, Munir Akram, reuniu-se com Ban nesta terça-feira e disse que o seu país está comprometido com a democracia. Em entrevista à BBC, o embaixador do Paquistão na ONU disse que o estado de emergência em seu país não afeta a paz e a segurança internacional e, portanto, não diz respeito à ONU. "É um assunto interno e a ONU não tem que se pronunciar a respeito", disse Akram. A missão paquistanesa na ONU disse que Akram explicou ao secretário-geral "os graves e múltiplos desafios que levaram o governo do Paquistão a declarar o estado de emergência". Em uma nota oficial, a missão disse que as medidas de emergência têm uma esfera de ação "restrita" e que o Paquistão "continua comprometido em restaurar a normalidade e a democracia". No entanto, depois de se reunir com Akram, o secretário-geral da ONU reafirmou sua preocupação com a situação no Paquistão. "Eu voltei a expressar minha profunda preocupação e pesar com o que aconteceu no Paquistão. Eu também pedi firmemente que o governo paquistanês restaure a democracia o mais rápido possível", disse Ban a repórteres depois da reunião. O secretário-geral da ONU disse que o general Musharraf deveria renunciar ao cargo de comandante das Forças Armadas e realizar eleições. Também pediu a libertação de líderes políticos e advogados detidos em meio à crise, além da suspensão das restrições à mídia. O governo paquistanês tem reprimido com violência os protestos pró-democracia. Dezenas de pessoas já foram presas. O presidente da Suprema Corte do Paquistão, Iftikhar Chaudhry, demitido no último sábado, fez nesta terça-feira um apelo à população para que continue a protestar contra o estado de emergência. Também pediu aos advogados do país que se juntem para lutar pelo restabelecimento da Constituição, suspensa por Musharraf. Segundo a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, o Conselho de Segurança tem mantido silêncio a respeito da situação no Paquistão, ao contrário do que fez nos recentes conflitos em Mianmar, por exemplo. A missão do Conselho de Segurança é responder às ameaças à paz e à segurança internacional. No entanto, segundo Trevelyan, o Paquistão é visto como um país no qual os Estados Unidos têm influência e exercem grande pressão. De acordo com diplomatas, não está claro que tipo de ação o Conselho de Segurança poderia tomar (em relação ao Paquistão). Na terça-feira, Bhutto, que negociava um acordo de divisão de poder com Musharraf, disse que não pretende se reunir com o presidente. A ex-premiê disse que Musharraf deve deixar o comando das Forças Armadas e realizar as eleições previstas para janeiro. Segundo o governo do Paquistão, membros do Parlamento irão se reunir nesta quarta-feira para discutir quando as eleições serão realizadas.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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