Para Aécio, decisão de apoiá-lo cabe a Marina

Para Aécio, decisão de apoiá-lo cabe a Marina

No Rio, candidato sinaliza que não deve ceder às exigências de Marina, mas afirma que as sugestões são bem-vindas

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 18h57

Atualizada às 22h03

No dia em que a candidata derrotada do PSB, a ex-ministra Marina Silva, impôs uma série de condições antes de se manifestar sobre um possível apoio no 2.º turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse nesta quinta-feira, 9, que sugestões serão bem-vindas, mas não mostrou disposição de voltar atrás em propostas como a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos. 

Aécio ressaltou que a decisão sobre o apoio à sua candidatura cabe à ex-ministra. Disse também que não pretende parar sua campanha “esperando essa ou aquela manifestação”. 

“O programa de governo é uma obra em permanente construção”, afirmou ele, em entrevista coletiva no comitê tucano no Rio. “Todas as sugestões serão muito bem-vindas, não podemos abdicar do que é essencial para o País.”

Aécio voltou a insistir no argumento de que suas propostas têm muito mais afinidades do que divergências com as que foram apresentadas no programa de governo divulgado por Marina no 1.º turno. 

“Vamos aguardar com serenidade a decisão que a candidata Marina achar mais adequada”, disse o tucano, que informou não ter recebido ainda a lista de reivindicações da candidata derrotada. “Apoios são bem-vindos, mas são decisões que não posso tomar. Há convergência dos temas defendidos pela candidata Marina com as nossas propostas, mas a decisão cabe a ela”, afirmou. 

Projeto de lei. O tucano evitou comentar cada ponto das exigências de Marina, mas fez questão de esclarecer o projeto de redução da maioridade penal em casos específicos - o projeto é de autoria do senador e candidato a vice-presidente Aloysio Nunes (PSDB).

“Não falamos em acabar com a maioridade (penal). A proposta abre a possibilidade de o Ministério Público ouvir o juiz em casos extremamente graves de crimes hediondos, e o juiz poderá decidir por um processo com base no Código Penal”, afirmou o candidato.

Aécio lembrou ainda que, se o projeto virar lei, atingirá cerca de 1% dos jovens infratores que cumprem pena. “O caso não é abrir mão de propostas, mas aprimorarmos nossas propostas”, disse o tucano.

Questionado sobre outros apoios para o 2.º turno, Aécio afirmou que está conversando com várias forças políticas, mas ressalvou: “Não vou parar minha campanha esperando essa ou aquela manifestação.”

Durante a semana, Aécio também evitou se posicionar sobre o fim da reeleição, proposta que está em seu programa e no da ex-candidata do PSB, mas que, no caso do plano tucano, está prevista para ser consolidada somente nas eleição de 2022.

O grupo de Marina indicou inicialmente que esperava de Aécio um gesto de empenho efetivo para pôr fim ao instrumento que garante um segundo mandato aos governantes eleitos. O candidato do PSDB, contudo, não quis se comprometer com datas para a proposta caso seja eleito. Alegou que era algo que não dependia exclusivamente ao presidente da 

O tucano evita o assunto também porque não quer se indispor com governadores eleitos no domingo para um primeiro mandato e nem com os prefeitos que disputarão a reeleição em 2016. 

Romário. O tucano confirmou nesta quinta que deverá ter um encontro com o ex-jogador e atual deputado federal Romário (PSB-RJ), eleito senador com mais de 4,6 milhões de votos. “Romário foi uma das belas surpresas do Congresso Nacional. Terei prazer em incorporar algumas de suas propostas, como a atenção às pessoas com deficiência. Vamos aguardar que ele se manifeste.”

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