Para Arthur Virgílio, 'tempo de Serra começa agora'

Para Arthur Virgílio, 'tempo de Serra começa agora'

Às vésperas de evento para lançar candidato tucano, líder do partido no Senado diz que tempo de Dilma 'está se esvaindo'.

Caio Quero, BBC

10 de abril de 2010 | 09h30

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), diz que o ex-governador de São Paulo, José Serra, está bem posicionado nas pesquisas e que "seu tempo começa agora".

Em entrevista à BBC Brasil, o senador faz uma análise positiva do desempenho de seu colega de partido nas pesquisas de opinião para a presidência. "Isso tudo sem se mexer", diz Virgílio.

O senador refere-se ao fato de ex-governador ter adiado, ao máximo, falar abertamente sobre sua intenção em disputar as eleições deste ano.

O PSDB preparou um evento para este sábado, em Brasília, com o objetivo de lançar o ex-governador como nome do partido à sucessão presidencial.

Popularidade

A formalização da candidatura tucana, no entanto, precisa passar pelo crivo da convenção partidária, que deve ocorrer em junho - quando também o nome do vice será oficializado.

Para Virgílio, a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente em torno de 75%, não se reflete em votos para sua candidata, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

Sua avaliação - segundo ele, baseada em pesquisas internas do partido - é que o presidente Lula poderia vencer Serra por cerca de 55% a 45%, se ambos estivessem no pleito deste ano.

"Mas isso é com o Lula. E ela (Dilma) não é o Lula. Então ela não deverá chegar perto de 50%", diz o senador.

"Nosso candidato venceu sistematicamente todas as pesquisas desde 2007. E isso sem manifestar", acrescentou.

Ainda de acordo com o senador tucano, "o tempo dele (Serra) começa agora, enquanto o dela (Dilma) está se esvaindo".

Comparações

Arthur Virgílio diz que as comparações entre Dilma Roussef e José Serra vão mostrar "uma diferença e tanto do ponto de vista da confiabilidade" dos candidatos.

"Como a gente pode acreditar em algum projeto capitaneado pela ex-ministra Dilma, que nunca foi candidata a síndica de um prédio, contra um homem que já foi governador, prefeito, senador, deputado e ministro duas vezes?", diz.

O senador diz que uma das prioridades de um governo chefiado por seu partido será a "retomada das reformas".

"Sou favorável a que o presidente Serra, em 1º de janeiro de 2011, envie ao Congresso todo o leque de reformas que tem para fazer, de uma vez", diz.

Para ele, o ideal é que, durante a campanha, se discutam não apenas os projetos de governo, mas a "capacidade gerencial para executá-los".

"Política é carreira, não é invenção. Tem que ser pessoa com qualificação curricular, capacidade de não se exasperar diante da crítica", avalia.

Virgílio diz ainda que Serra está "à esquerda" dentro do PSDB, mas que o objetivo do partido "não é ser de esquerda, mas sim reformista".

Sua opinião é de que Serra, se oficializado como candidato do partido, deve comparecer a todos os debates de primeiro turno, "mesmo estando à frente nas pesquisas".

"Não tem essa história de que 'porque estou na frente, não vou'. Isso é mediocridade", diz.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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