Para consultor, fase é a mais difícil da pecuária

Professor aconselha opção pelo sistema de cria para propriedades onde o solo não permite outras atividades

O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 03h57

Apesar das vantagens da atividade de cria, principalmente em momentos de cotação de bezerros em alta, analistas acreditam que nem todo pecuarista deve adotar o sistema. "É preciso avaliar cada propriedade. A cria é uma atividade delicada e de menor rentabilidade dentro da pecuária, porque há um limite fisiológico: cada fêmea só tem um bezerro por ano", pondera a analista Maria Gabriela, da Scot Consultoria. Do ponto de vista técnico, avalia o agrônomo José Vicente Ferraz, da AgraFNP, a fase de cria é a mais difícil da pecuária. "Normalmente o sistema operacional é mais complicado comparado ao de recria e engorda. Essa fase exige mais mão-de-obra para controlar as fêmeas, trabalhar os bezerros", destaca Ferraz. Além disso, ele lembra que a atividade de cria só tem liquidez na desmama do bezerro. Para o professor da Esalq/USP e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), Sergio de Zen, a atividade de cria é indicada para áreas onde não há grandes condições de se desenvolver outras atividades. "A atividade de cria está muito atrelada à qualidade do solo. É uma atividade de fronteira agrícola", acredita. Para o pecuarista que faz o ciclo todo, o fluxo de caixa é mais lento, porque a propriedade precisa acumular volume e estoque. "Por outro lado, esse pecuarista tem mais opções de mercado: pode vender a vaca, o bezerro, o garrote, o boi magro ou o boi gordo."

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