Para Cuba, Brasil pode ser alternativa à Venezuela, diz artigo

Texto do 'Washington Post' afirma que política americana para Cuba fracassou

Da BBC Brasil, BBC

20 Fevereiro 2008 | 07h50

O jornal americano Washington Post traz em sua edição desta quarta-feira, 20, um artigo que comenta a "política punitiva fracassada" dos Estados Unidos em relação a Cuba e que diz que o Brasil poderá ser uma alternativa à dependência de Cuba da Venezuela.   Após 49 anos, Fidel Castro renuncia à Presidência Artigo publicado no Granma (em português) A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Ruy Mesquita fala sobre Fidel Castro e Cuba Leia cobertura completa da renúncia de Fidel  O artigo, intitulado "Nossa fracassada política de punição" e assinado pela pesquisadora do Lexington Institute Anya Landau French, cita o Brasil como exemplo de países que, ao contrário dos Estados Unidos, optaram por manter relações construtivas com Cuba e poderiam se beneficiar com isso. "Alguns países amigos dos Estados Unidos já se adiantaram. A Espanha começou um diálogo sobre direitos humanos em Cuba. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente ofereceu a Cuba uma linha de crédito de US$ 1 bilhão dá à ilha uma alternativa possível à sua dependência no presidente venezuelano Hugo Chávez." "Hoje, Venezuela, China, Canadá, Espanha e Brasil têm presença robusta na ilha", continua o artigo, defendendo que o próximo presidente americano retome algum tipo de relação com a ilha para não ficar a ver navios. "O próximo presidente americano tem uma escolha pela frente: Continuar uma política para Cuba enraizada nas sanções ineficientes, ou criar uma política americana para novas possibilidades." O artigo diz que a renúncia do presidente cubano Fidel Castro, em seus próprios termos, anunciada na terça-feira, demonstrou que "os esforços dos Estados Unidos para isolar o país e derrubar seu governo socialista fracassaram". Segundo a autora, tratar Cuba com a proposição "ou tudo ou nada" não trouxe nada aos Estados Unidos, nem em termos de interesse, nem em termos idealísticos. Ela ainda aconselha medidas para que o próximo presidente americano aumente a influência do país em Cuba em nome da segurança nacional do país: "diminuir o fluxo de imigrantes ilegais, aumentar a segurança em torno da base americana de Guantánamo, impedir nas águas territoriais cubanas o trânsito de traficantes de drogas que seguem para os Estados Unidos e proteger a costa da Flórida de danos ambientais causados pela exploração estrangeira de petróleo nas águas cubanas." "O diálogo nessas questões de segurança poderia levar a resultados diretos e à construção de contatos e confiança que poderiam colocar a próxima administração americana em posição de avançar mais eficientemente em outros interesses." 'The Guardian' O futuro das relações entre os EUA e Cuba também é o foco de um texto assinado por Ignacio Ramonet, biógrafo de Fidel Castro, e publicado nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian. Ramonet especula que "para mudanças (nas relações entre EUA e Cuba)", olhe para Obama". Ele diz que "dos Estados Unidos pode vir uma mudança política notável, com o pré-candidato democrata Barack Obama já tendo sinalizado sua vontade de negociar com inimigos ou adversários dos Estados Unidos, seja o Irã, a Venezuela ou Cuba". Para Ramonet, qualquer que venha ser o próximo presidente dos Estados Unidos, o país terá que "reavaliar a sua política externa e, provavelmente, voltar seu foco para a América Latina". "Os Estados Unidos vão encontrar uma situação mudada: pela primeira vez, Cuba tem amigos genuínos nos governos da América Latina, principalmente Venezuela, mas também no Brasil, Argentina, Nicarágua e Bolívia, um grupo de governos que não são, particularmente, pró-Estados Unidos." "Está no interesse dos Estados Unidos redefinir suas relações com todos eles: não-colonial, não exploradora e baseada em respeito."     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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