Para degustar

GAEL GREENE, crítica americana de restaurantes

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2009 | 02h32

51 Richebourg e 50 Corton-Charlemagne são meus vinhos favoritos. Não me lembro mais da última vez em que os bebi. Atualmente tenho um favorito bem mais acessível: o 49 Mormoraia Chianti.

Inesquecível: um dos grandes vinhos de Gaja, o 48 Barbaresco, complexo e redondo, sugado em enormes taças bojudas com pizza, no chão de uma cabana em Nova Jersey, no meio do mato, com um amante maravilhoso e terno, um homem casado.

Harmonização perfeita: robalo assado com algas e beurre blanc servido com um Château Margaux por Paul Bocuse. Foi em 1974, num grande jantar feminista, depois que a alfândega confiscou o pernil de vitela que ele ia cozinhar para acompanhar o tinto.

Vinho em lugar interessante: Château d?Yquem com queijo roquefort, bebido durante uma partida de futebol na casa de amigos, em Kingston, Nova York.

ADOLAR HERMANN, importador de vinhos

47 Château Montus com um cassoulet é uma harmonização perfeita, mas não a única. O mundo do vinho sempre te entrega momentos muito agradáveis.

Gosto de descobrir pequenos produtores. Uma vez fui atrás de um desses produtores em Montalcino, na Itália. Liguei para o homem e perguntei o endereço da vinícola. Ele disse que me pegava onde eu estivesse para me levar até o local, mas eu insisti que não precisava. Não queria dar trabalho, nem sabia se fecharia negócio. Insisti e então ele disse: "Eu vou te buscar porque, sabe o que acontece, tem uma placa que indica o caminho, mas como eu não gosto de ser incomodado, eu inverti o sentido..."

JOSÉ OSWALDO AMARANTE, enófilo

Vou falar de três vinhos inesquecíveis: 46 Vega-Sicilia Único 1967, o

primeiro que bebi na vida, em setembro de 1983, na confraria de que faço parte. 45 Château Haut-Brion Blanc 1982, o melhor branco que bebi. Foi em 1995. 44 Hermitage La Chapelle 1978, que tomei em 2006, durante uma

degustação vertical que começava em 1969 e terminava em 1994. Esse foi o

vencedor da prova.

TIAGO LOCATELLI, sommelier do Varanda Grill

Aconteceu quando eu estava de férias no Sul. Fui convidado para comer um risoto com galinha

caipira na casa de uma família vizinha. Levei uma garrafa de 42 Amarone, de ótima safra, para acompanhar o jantar com gosto de infância, alegre, toda a família na mesa, pai, mãe, filhos e a nonna. Abri a garrafa e comecei a servir. A nonna estava tomando refrigerante. Perguntei a ela se queria experimentar o vinho. Ela titubeou um pouco para em

seguida, do alto das suas sete décadas de existência, disparar: "Vou tomar sim, misturado com Coca-Cola."

MANUEL CHICAU, da Adega Alentejana

43 Herdade do Mouchão 54, que degustei em 2004, é meu vinho inesquecível. Estava fantástico depois de 50 anos. É elaborado com a Alicante Bouschet, uva de longevidade impressionante. Mas o episódio relacionado ao vinho que ficou na minha memória foi quando eu tinha 17 anos, morava no interior de Portugal. Meu sonho era ir para a praia ver as garotas de topless, as alemãs, as dinamarquesas... O jeito de conseguir era trabalhar nas vindimas. Fui com uns amigos, mas o problema é que seu pé fica sujo por causa das tintas das uvas, então a gente chegou na praia com os pés pretos de uva! Sorte que era uma praia com areia fofa e a

gente podia se esconder...

JOSÉ LUIZ PAGLIARI, enófilo

Filosofia: Com vinhos a monogamia é burra.

Situação engraçada: Uma vez uma antiga empregada preparou uma surpresa na adega do meu pai, de grandes preciosidades. Ela aproveitou uma viagem dele para limpar as garrafas empoeiradas, mesmo perdendo alguns rótulos. Ficou um brinco! Sorte o 41 Terrantez H M B 1862 ter sua identificação pintada no vasilhame.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.