Para economizar gasolina, americanos adotam compras online

Varejistas andam numa corda-bamba ao encorajar as vendas online, já que isso pode prejudicar as lojas físicas

Stephanie Rosenbloom, de The New York Times,

19 de julho de 2008 | 14h18

Para ir às compras hoje em dia, cada vez mais americanos estão trocando o carro pelo teclado.   As compras online estão crescendo num momento em que encher o tanque para ira o shopping já parece uma compra de impulso extravagante.   Um bom número de varejistas - incluindo Gap, Victoria's Secret e J.C. Penney - começam a experimentar um crescimento de dois dígitos nas vendas  de seus websites, criando um surpreendente ponto brilhante em uma temporada sombria para as lojas de tijolo e cimento.   Uma estratégia popular para atrair compradores é oferecer frete grátis, em contraste com a prática de diversos outros setores da economia, como as companhias aéreas, que estão acrescentando sobretaxas para compensar uma alta de custos.   Os websites de Neiman Marcus, Saks, Nordstrom, Bloomingdale's, Macy's, Bon-Ton Stores, Aeropostale, American Eagle Outfitters, Target e Kmart estavam oferecendo descontos no frete durante a última semana.   "Com a gasolina sendo uma questão tão importante, sabemos que o tráfego para o shopping caiu mais que o tráfego em geral", disse o principal executivo de marketing da J.C. Penney, que assistiu a um aumento de 8,7% nas vendas pela internet no primeiro trimestre.   Isso contrasta com a queda de 7,4% em vendas nas lojas abertas no ano passado, taxa conhecida como vendas de mesma loja e que mede a saúde de um varejista. "Vemos mais pessoas se voltando para o online, porque é muito Amis eficiente em termos de tempo e dinheiro", disse Boyslon.   Os varejistas andam numa corda-bamba ao encorajar as vendas online. É óbvio que estão felizes por atrair mais compradores aos websites, mas não às custas das vendas em loja, que são uma métrica importante para os investidores.   Por outro lado, a internet pode impulsionar as vendas em lojas, seja porque os compradores vão ás lojas para trocar um produto comprado online seja porque acabam comprando um produto que a loja não tem por meio de um terminal no ponto de varejo.   Recentemente, Nichelle Hines, uma atriz de Los Angeles, passou a comprar tudo online, exceto gasolina: suprimentos para seus animais de estimação, livros, DVDs, filtros de água, equipamento de cozinha, um vestido, sua bebida favorita e material para construir uma câmara acústica, o que a poupará de ter de ir de carro a um estúdio para gravações.   "Foi o que nos salvou", disse ela, que vive com o namorado, Charles, que está construindo a câmara. "E só começamos a fazer isso uns três meses atrás, por conta do desespero de gastar dinheiro em litros de gasolina".   Quando precisa dirigir até algum lugar, Hines diz que primeiro vai á internet para localizar o posto de gasolina mais próximo.   "Sou uma analfabeta em computadores", disse ela. "Mas os preçso da gasolina estão me obrigando a me alfabetizar".   Victoria's Secret, também, teve um aumento nas vendas online. Suas vendas por catálogo e pela internet subiram 11% no primeiro trimestre deste ano, enquanto que as vendas de mesma loja caíram 8%, de acordo com Maggie Taylor, vice-presidente e analista de crédito sênior da Moody's Investors Service.   Gap teve uma queda de 11% nas vendas de mesma loja no primeiro trimestre, mas aumento de 21% nas vendas online. Cerca de seis semanas atrás, a Gap reinventou seu comércio eletrônico, permitindo que os consumidores comprassem nos websites de todas as suas marcas - Gap, Old Navy e Banana Republic, bem como na mais recente, Piperlime, uma sapataria online - com um único carrinho virtual e uma taxa fixa de frete de US$ 7.   "Os pais não querem dirigir a quatro lojas diferentes, em dois shoppings diferentes", disse uma porta-voz da Gap Inc., Kris Marubio. O novo design na internet "ajuda os pais com pouco tempo e pressionados pelo preço da gasolina a realizar suas compras de volta às aulas em menos tempo e a um menor custo".   O número de compradores que visitam web sites que oferecem descontos deu um salto, também. No geral, o número de visitas aos chamados websites de cupom aumentou 21% de junho de 2007 até este junho, de acordo com a companhia de medição de audiência na internet comScore Media Metrix.   CouponWinner.com, que trabalha com mais de 2mil varejistas, teve um aumento de 186% em tráfego de fevereiro a junho deste ano, de acordo com a comScore. Outro site do tipo, ShopItToMe.com, que avisa os membros quando suas marcas favoritas entram em liquidação no tamanho do cliente em varejistas como Saks, Bloomingdale's, Nordstrom, Ralph Lauren e J. Crew, mais do que dobrou o número de associados nos últimos três meses, disse o fundador do site, Charlie Graham.   "As pessoas estão se sentindo menos confortáveis em ir ás lojas ou dirigir duas horas até o outlet, por conta da gasolina", disse Graham. "O esforço quase não se paga mais".   As vendas de varejo pela internet, que freqüentemente se tornam mais sedutoras pela ausência de um imposto de vendas, cresceram desde que tiveram início, mas ainda são uma pequena porcentagem do varejo total. E, embora o crescimento do comércio eletrônico tenha desacelerado na recente queda da economia, analistas não esperam que a expansão cesse. De fato, as vendas online representam um dos poucos pontos positivos para muitos varejistas.   "Comércio eletrônico, quando você compara ao varejo em lojas, é um ponto brilhante porque, enquanto o crescimento nas lojas está nos dígitos mais baixos, o comércio eletrônico ainda está crescendo, pelo menos, acima da dezena", disse Jeffrey Grau, analista sênior de varejo eletrônico da eMarketer.   Espera-se que as vendas pela internet superem US$ 200 bilhões neste ano, acima dos US$ 175 bilhões de 2007, de acordo com a Forrester Research. Dado esse crescimento, Moody's, a agência de avaliação de crédito, disse no mês passado que começará a dar mais peso às vendas de varejo pela internet ao analisar empresas. E varejistas como J.C. Penney e Target começaram a incluir as vendas online nos números de vendas de mesma loja.   "Online está começando a ser importante, e está indo bem", disse Taylor, da Moody's. "Agora que é grande o bastante para importar, as empresas querem chamar atenção".

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