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Para especialistas, polícia não é resposta a protestos

O governo tem que chamar para si a responsabilidade e dar uma resposta pública às demandas das manifestações que estão ocorrendo no País e não cabe à polícia essa responsabilidade, avaliou a coordenadora geral do Instituto Sou da Paz, Carolina de Mattos Ricardo. "A polícia não pode ser a resposta pública do governo. Não é da polícia essa responsabilidade", afirmou Carolina, ao participar do debate "Manifestações de Rua e a Segurança Pública: limites e controvérsias", promovido pelo Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (Ceapg), da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo.

CARLA ARAÚJO, Agência Estado

24 de junho de 2013 | 15h25

De acordo com a coordenadora, todas as esferas do governo - federal, estadual e municipal - precisam ainda disseminar sua resposta pública para a população e também para todos os órgãos envolvidos, como os de segurança. "A polícia é o braço armado do Estado, mas ela responde ao poder político, não é ela que deve escolher como lidar com as manifestações", afirmou, ressaltando que para que a missão esteja mais alinhada com que o governo quer, "é necessário que cadeia de controle e comando seja informada" da posição oficial.

Segundo Carolina, a polícia ainda traz uma representação simbólica de repressão, mas o papel primordial da ação policial é garantir a segurança e os direitos da população. "Se a PM vai preparada para outra missão - como confronto com manifestantes - vai haver problemas."

Para a coordenadora do Sou da Paz, um dos principais desafios é profissionalizar a polícia brasileira e ampliar o debate sobre o uso da força por parte dos policiais. "Muitas vezes se confunde o uso da força com a violência. A policia pode usar força, mas isso não é sinônimo de violência", diz, explicando que há diferentes níveis de força intrínsecos ao papel da polícia. "Só o fato de usar uniforme já aponta a presença da força, o segundo nível é a verbalização. Precisamos ter uma polícia preparada com esses níveis anteriores de força para trabalhar com multidões."

Para Viviane Cubas, pesquisadora do núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), presente no seminário, uma das funções mais difíceis da polícia é respeitar sua tarefa e atender as expectativas. "As últimas manifestações mostram que a tarefa ainda não foi bem resolvida", afirma, ressaltando a importância do avanço tecnológico, como a disseminação de câmeras de celular, para o maior controle da ação da polícia. "Isso ajuda a aumentar as denúncias de abuso policial."

Segundo a pesquisadora, essa violência da polícia infelizmente não é nova e está vastamente documentada em pesquisas. "Um dos fatores que precisa ser lembrado é que parte da população apoia as ações (mais violentas)."

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