Para IPCC, aquecimento induz eventos extremos

Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado ontem afirma que um aumento da incidência de ondas de calor no mundo é quase certo, enquanto chuvas mais pesadas, mais inundações, ciclones mais fortes, deslizamentos e secas mais intensas são prováveis.

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h07

O documento apresenta diferentes probabilidades para eventos climáticos com base em futuros cenários de emissões de gases causadores de efeito estufa.

Os cientistas alertam que muitas regiões poderão assistir a um espaçamento menor entre dias extremamente quentes: o intervalo deve cair de 20 para 2 anos até o final do século. "Estamos começando a perceber que dá para fazer a conexão entre mudanças climáticas globais e aumento da frequência de eventos climáticos extremos", confirma o físico Paulo Artaxo, da USP, cientista colaborador do IPCC.

"Percebemos, por exemplo, que nos anos em que há mais incidência de furacões no Caribe, a temperatura da superfície do mar está mais quente no Atlântico tropical", diz.

O relatório lança para o mundo o alerta de que é preciso se preparar para o aumento dos eventos extremos.

"A capacidade de o mundo se tornar mais resistente às mudanças climáticas dependerá muito da velocidade com que as emissões serão reduzida, e no alcance do fornecimento de recursos financeiros e tecnologia dos países desenvolvidos para os mais vulneráveis", afirma Christiana Figueres, chefe de mudanças climáticas da ONU.

Ela diz que os governos que se reunirão em Durban no fim do mês para a Conferência do Clima da ONU devem "finalizar o quadro institucional acordado no ano passado no México, para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem".

O relatório do IPCC aponta que as ondas de calor já observadas nos últimos anos provavelmente ficarão entre 1°C e 3°C mais quentes em meados do século 21 e entre 2°C e 5°C mais quentes até o final do século.

"Elas afetam muito os países da Europa, além de China e Índia", diz Paulo Artaxo. Para nós, não há muitas consequências."

Segundo o documento, há probabilidade média de que as secas também se tornem mais intensas ao longo deste século. Ao mesmo tempo, o relatório prevê precipitações mais fortes, principalmente nas áreas tropicais e altas latitudes. / KARINA NINNI e AFRA BALAZINA, COM AGÊNCIAS

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