Para Jobim, pacificação no Haiti oferece ''know-how importante''

Ministro quer ''examinar'' se experiência militar em favelas pode ser aplicada no Brasil.

Bruno Garcez, BBC

04 de setembro de 2007 | 09h27

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ser preciso verificar se a experiência militar brasileira no Haiti pode ser aplicada no Brasil. O ministro afirmou que as forças de paz brasileiras no país caribenho contam com ''''um tipo de especialização que está bem desenvolvido'''' e que a experiência das tropas do Brasil na pacificação de áreas de conflito no Haiti ''''oferece um know-how importante, e é preciso examinar se sua aplicação é compatível''''. Os comentários de Jobim foram feitos em Porto Príncipe, na capital haitiana, onde ele está acompanhando a atuação das forças de paz brasileiras, que lideram a Missão de Establização da ONU no Haiti (Minustah).Mas o ministro acrescentou que o que diferencia as operações de pacificação no país caribenho e o combate ao crime em favelas como as do Rio de Janeiro não é uma maior ou menor especialização das forças que atuam no Haiti e no Brasil, mas sim que leis completamente distintas incidem sobre cada um destes contextos. ''''O problema básico é o estatuto jurídico. São completamente diferentes. Aqui vigora o estatuto jurídico da Organização das Nações Unidas. No Brasil, não existe isso. Para se pensar em algo similar no Brasil, você precisa de um regime de extração do estatuto jurídico e isso tem que ser examinado'''', afirmou. Indagado se o governo patrocinaria uma discussão sobre o tema, Jobim acrescentou: ''''Vou patrocinar, oportunamente''''.O ministro também respondeu às críticas incluídas no relatório do conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro Aderson Bussinger.O representante da OAB disse à BBC Brasil que as tropas do Brasil no Haiti são "é uma força de ocupação, e não humanitária, que está validando os abusos de direitos humanos no país caribenho e contribuindo para um estado de permanente repressão". Segundo Jobim, os comentários ''''mostram total desconhecimento do assunto. É o voluntarismo típico da necessidade de fazer oposição.''''De acordo com o ministro, ''''basta circular'''' pelo Haiti para ver que as críticas do advogado não têm sentido. ''''Vocês estão verificando o tipo de ação que estamos fazendo'''', afirmou aos jornalistas. E acrescentou que os comentários ''''não têm compromisso com resultados, mas têm compromisso com um discurso''''. Em relação à recomendação de Bussinger no relatório que será entregue ao Conselho Federal da OAB nesta semana de que o governo brasileiro retire suas tropas do Haiti, Jobim concluiu:''''Isso significa: ''vamos embora e deixamos tudo como está''. Não tem sentido''''.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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