SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Para jornalista, corporações não devem controlar informação

Franklin Foer, ex-editor da revista 'New Republic', foi um dos participantes do Festival piauí GloboNews de Jornalismo

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 23h04

Oito autores de grandes reportagens, além de duas fontes de outras tantas, foram as estrelas do Festival piauí GloboNews de Jornalismo, encerrado na noite deste domingo, 11, em São Paulo. O economista Delfim Netto e o banqueiro Daniel Dantas foram entrevistados durante o evento.

O jornalista norte-americano Franklin Foer contou pela manhã detalhes de sua saída do cargo de editor da revista New Republic, que entrou em crise quando um novo gestor tentou impor valores do Vale do Silício - baseados em métricas quantitativas - em uma publicação centenária dedicada ao jornalismo analítico e aprofundado. A mudança de rumos resultou em um pedido de demissão coletivo que atingiu dois terços da redação.

Atualmente trabalhando na elaboração de um livro sobre monopólios, Foer traçou um panorama crítico à atuação de grandes corporações, como Facebook, Google e Amazon, no controle do fluxo de informações pela internet. “Corporações não devem controlar informação”, afirmou.

Anabel Hernández, repórter da revista mexicana Proceso, fez um relato sobre as investigações que fez em torno das atividades dos cartéis do narcotráfico em seu país. Em seguida, Ben Anderson, repórter e documentarista da Vice Media, falou sobre seu trabalho no Afeganistão e outras zonas de conflito.

Grampos. O jornalista Nick Davies, do jornal britânico The Guardian, revelou detalhes das reportagens que revelaram o escândalo dos grampos nos telefones de políticos e celebridades, promovidos por funcionários dos tabloides The Sun e News of the World.

No sábado, entre outros convidados, o jornalista argentino Jorge Lanata fez uma exposição sobre o panorama da imprensa e da política em seu país. Para ele, governos populistas da América Latina definiram o jornalismo como “inimigo” a ser combatido.

Como exemplo desse tipo de perseguição, Lanata citou o jornal Crítica de la Argentina, que fundou em 2008. Segundo ele, ministros do governo Cristina Kirchner pressionaram empresas para que retirassem os anúncios do jornal, que fechou depois de circular por dois anos.

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