Para líder, EUA não têm coragem de atacar

Ahmadinejad avisa que poderá produzir combustível nuclear

Rodrigo Rangel, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

Em entrevista coletiva, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, após ser indagado pelo Estado se o Irã estaria preparado para um eventual ataque militar dos Estados Unidos ou de Israel, respondeu, enfático: "Eles não têm coragem de praticar isso."

"Achamos que a era dos ataques militares já chegou ao seu fim", acrescentou. "Hoje já é tempo de diálogo. Armas e ameaças pertencem ao passado, até para as pessoas atrasadas mentalmente, aquelas a que você se referiu (EUA e Israel)."

Ahmadinejad se eximiu de responsabilidade pela prisão de três americanos que ultrapassaram a fronteira do Iraque com o Irã. Ele disse que a decisão de libertá-los cabe à Justiça: "Cada país tem seus regulamentos." Os três seguem presos sob suspeita de espionagem.

O iraniano disse ser a favor de um referendo para que "cristãos, judeus e muçulmanos decidam sobre seu destino". Para ele, bombardeios ou mesmo consensos políticos não são capazes de resolver o problema.

Antes, no Itamaraty, Ahmadinejad advertiu que seu país terá condições de produzir o combustível nuclear necessário ao funcionamento do reator de Teerã, caso as seis potências nucleares não recuem em suas novas exigências sobre o acordo mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, na Áustria.

Ele disse que seu país propôs o acordo original e pretende buscar o combustível no exterior. Mas afirmou que não pode permitir que os fornecedores imponham condições. "Nenhum país independente aceitaria a proposta. As pessoas, no Irã, não a aceitarão", declarou.

O líder iraniano posicionou-se sobre o acordo que permitiria o acesso de Teerã ao combustível para seu reator e a negociação com as seis potências - Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha - em torno do programa nuclear de seu país.

Ele mostrou contrariedade com os volumes de urânio enriquecido que devem deixar o Irã e voltar ao país na forma de combustível. Tal como foi encaminhado, o acordo prevê que o Irã envie todo o seu estoque de urânio, enriquecido em até 5%, para a Rússia. Esse país elevaria esse teor a 20% e despacharia a carga para a França, onde seria transformada em combustível.

"Temos condições de enriquecer o urânio a 20% e temos direito legal de fazê-lo", disse. "Para criar um clima de cooperação, estamos prontos a comprar o combustível nuclear."

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