Para Lugo, acordo sobre Itaipu abre nova era em relações

O acordo fechado entre Paraguai e Brasil sobre o preço da energia da usina hidrelétrica de Itaipu abre uma nova era nas relações "respeitosas" entre os dois países vizinhos, disse na terça-feira o presidente paraguaio Fernando Lugo.

REUTERS

28 Julho 2009 | 17h49

Lugo entregou ao Congresso do país o documento assinado no sábado junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro realizado em Assunção classificado pelos dois presidentes como histórico.

O Brasil vai triplicar o preço que paga pela energia de Itaipu que o Paraguai não utiliza, o que significa um aumento de mais de 200 milhões de dólares que Lugo planeja destinar a programas de combate à pobreza.

O acordo prevê ainda que o Paraguai comercialize a energia de Itaipu e de duas centrais próprias --uma delas em construção-- no mercado brasileiro, assim que forem concluídas as obras de infraestrutura para a transmissão.

"Foi um passo importante, especialmente na relação bilateral com o Brasil", disse Lugo em entrevista coletiva.

"Acho que a conquista mais importante, independente dos números do capítulo de Itaipu... foi essa nova forma de relacionamento respeitoso que temos com o Brasil neste momento", acrescentou.

Alguns oposicionistas questionaram que a cifra obtida é muito menor que os 2 bilhões de dólares que a equipe da campanha presidencial de Lugo pretendia reclamar. Eles classificaram o acordo como uma migalha dada pelo gigante econômico latino-americano.

"Acho que a sociedade capitalista e materialista faz com que essa pergunta seja assim, numérica", disse Lugo ao ser questionado a respeito.

"Acho que há conquistas do ponto de vista moral, diplomático e da dignidade que muitas vezes não se pode quantificar", acrescentou.

Analistas acreditam que o acordo constitui um importante apoio político para Lugo, que chegará ao seu primeiro ano na Presidência abalado por conflitos internos e por escândalos gerados pelas denúncias de paternidade que afetaram sua popularidade.

Os recursos servirão para aliviar os problemas econômicos da União, que enfrenta os efeitos da crise mundial, e de uma forte seca que destruiu grande parte da produção agrícola, motor da economia local.

Mais cedo, o presidente paraguaio comemorou o acordo junto a autoridades e sindicalistas da Administración Nacional de Electricidad (ANDE), a estatal que é co-proprietária de Itaipu ao lado da estatal brasileira Eletrobrás.

Os sindicalistas disseram que a próxima meta deve ser a negociação com a Argentina pela energia da hidrelétrica de Yacyretá, que os dois países compartilham no rio Paraná.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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