Para médicos, não há segurança em partos fora do hospital

Mesmo que a gravidez seja completamente saudável, que o bebê esteja bem posicionado e a mãe com dilatação e pressão arterial adequadas, os médicos discordam do parto em domicílio.

O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h04

"Somos terminantemente contra. Uma das causas mais frequentes da mortalidade materna são as hemorragias, e elas não são previsíveis. Podem acontecer naquele parto que todos acreditam que não tenha perigo algum. Nesse caso é preciso o uso de medicações venosas e a retirada rápida do útero da mulher. E isso só pode ser realizado no leito hospitalar. Só se pode falar em parto sem risco 25 horas após o nascimento", afirma a médica Vera Fonseca, diretora da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Para ela, a prática do parto em casa precisa ser combatida tendo em vista dois cenários: a falta de hospitais nos rincões do País e, nos grandes centros, a propagação da ideia de que a maternidade seja um ambiente hostil à gestante.

"Nas cidades, fazer parto em casa é um verdadeiro modismo. Começou com as celebridades, virou mania e já fez muitas vítimas iludidas com a lógica 'gravidez saudável, parto tranquilo'."

Em janeiro deste ano, a australiana Caroline Lovell, grande defensora dos partos domiciliares, morreu aos 36 anos logo após dar à luz, em casa, sua segunda filha. A ativista teve uma parada cardíaca.

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