Para quem fez o exame, não houve grandes transtornos

Cenário: Paulo Saldaña

É REPÓRTER DE O ESTADO DE S. PAULO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h02

Aprendi no Enem que decretar o sucesso do exame no calor da hora não é prudente. Em 2011, o vazamento de questões do pré-teste em Fortaleza só veio à tona na terça-feira, desencadeando a terceira crise seguida. Mas, no mínimo para quem fez o exame, dá para dizer que não houve grandes transtornos.

Fiz a prova na UniPaulistana, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Nisso houve um transtorno: como a maioria dos 2,1 mil inscritos nesse local, moro na zona leste, distante 1 hora. Com sorte de não ter topado com manifestações e congestionamentos, cheguei a tempo cedo e antes das 13h já estava na sala, numa carteira bem desconfortável.

Ao contrário de 2011, a organização na sala de aplicação foi muito boa. No sábado, só houve uma confusão no início, quando deveríamos começar a prova. Uma fiscal autorizou, a outra voltou atrás e ficou naquilo. Perdemos 7 minutos. Mas, justiça seja feita, os aplicadores sabiam o que fazer: as salas estavam organizadas, as provas chegaram na hora certa, as orientações foram claras. Pelo menos na sala 65B, não houve chance para cola e outros desvios, como uso de celular e boné.

Até a questão de marcação do tempo, uma vez que o candidato não pode usar relógio, foi resolvida. A cada meia hora, um adesivo era retirado da lousa e indicava quanto tempo restava.

De fato, o tempo é o protagonista. Depois de dois dias de prova, 180 questões, a redação e quase 10 horas sentado, a sensação é de que o Enem é prejudicial à saúde. É muito mais que cansativo, é uma provação - à base de barrinha de cereal e água morna. E tem quem não consegue fazer tudo.

Ontem, todas as questões de português tinham seu texto. Alguns eram bem longos - havia páginas com apenas dois itens. Ouvi alguns candidatos dizerem que viraram a página assim que bateram o olho. Além de numerosos, eles não eram triviais. No sábado, li Kant e Montesquieu. Ontem, Drummond e Camões. Exigiam concentração. Mas a sorte é que eram muito bons. Isso ajudou a vencer as horas revirando na cadeira, com as costas moídas, olhos fechando e mão cansada depois de escrever as 30 linhas da redação. Ler em um dos itens o poema Cabeludinho, de Manoel de Barros, tirou-me um sorriso no meio daquele clima de eliminação de vestibular: "Eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir".

E também concordo com os reclamões que dizem ter identificado duas alternativas corretas para algumas questões de Ciências Humanas e Linguagens. Agora veremos no gabarito.

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