Para ser Estado, Porto Rico deve falar inglês, diz Santorum

O pré-candidato republicano a presidente dos EUA Rick Santorum disse na quarta-feira em Porto Rico que a população local precisa adotar o inglês como primeira língua se quiser virar um Estado dos EUA -algo que contraria a Constituição norte-americana.

REUTERS

14 Março 2012 | 18h54

Santorum viajou ao território caribenho -oficialmente um "Estado associado" dos EUA- para fazer campanha com vistas à eleição primária de domingo, na qual ele, Mitt Romney e Newt Gingrich disputam 20 delegados para a convenção nacional que vai escolher o candidato republicano à presidência.

Porto Rico tem o inglês e o espanhol como línguas oficiais, embora a segunda seja muito mais usada. Em novembro, a ilha realizará um referendo para decidir se pleiteia a ascensão a Estado ou se mantém o status atual.

Em entrevista ao jornal El Vocero, o conservador Santorum disse apoiar o direito à autodeterminação política dos porto-riquenhos. "Precisamos trabalhar juntos e determinar que tipo de relação queremos desenvolver", afirmou.

Mas Santorum disse que não apoiaria um Estado onde o inglês não fosse a língua predominante.

"Como qualquer outro Estado, é preciso haver o cumprimento dessa e de qualquer outra lei federal. E isso é que o inglês precisa ser a língua principal. Há outros Estados com mais de uma língua, como o Havaí, mas para ser um Estado dos Estados Unidos o inglês tem de ser a língua principal."

Ao contrário do que diz Santorum, a Constituição dos EUA não estabelece o inglês como língua oficial do país, e não existe nenhuma lei obrigando a adoção desse idioma como pré-requisito para a ascensão ao status de Estado.

Por outro lado, vários Estados dos EUA já aprovaram leis locais declarando o inglês como idioma oficial -é o caso da Flórida, com grande população hispânica.

Para que Porto Rico se torne o 51º Estado dos EUA, seria preciso aprovação do Congresso. Os 4 milhões de habitantes da ilha podem votar nas prévias partidárias dos EUA, mas não nas eleições presidenciais. Já os porto-riquenhos radicados nos EUA têm direitos eleitorais plenos.

As declarações de Santorum tendem a ser mal recebidas pelos republicanos de Porto Rico, que sempre defenderam que questões de língua e cultura sejam atribuições dos governos estaduais, e não do âmbito federal.

A posição dele também pode afastar os 4,2 milhões de porto-riquenhos nos EUA, incluindo cerca de 1 milhão na Flórida, um Estado estratégico na eleição geral.

Principal rival de Santorum na disputa interna republicana, Romney diz que apoiaria a elevação de Porto Rico a Estado. Ele viaja na sexta-feira à ilha, e já recebeu o apoio do governador local, Luis Fortuno, do Novo Partido Progressista, que encabeça o movimento para virar Estado.

Santorum se reuniu na quarta-feira com Fortuno, de quem disse ser amigo desde os tempos em que ambos moravam em Washington, na década passada. Ele afirmou que "neste momento" não apoia a ideia de permitir que territórios como Porto Rico votem na eleição presidencial, mas que estaria disposto a analisar alternativas -como incluir os votos porto-riquenhos na contagem da votação popular, mas sem participação no Colégio Eleitoral.

Na quinta e sexta-feira, a filha de Gingrich, Kathy Gingrich Lubbers, que fala espanhol fluentemente, fará campanha pelo pai na ilha.

(Reportagem de Eduardo Simões)

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