Para ver (e comer)

Setembro é a melhor época para experimentar os carnudos e adocicados caranguejos-peludos em Xangai. São cozidos no vapor com gengibre em lascas e vinagre de arroz preto. Agosto é o mês para comer, até enjoar, o lagostim na Finlândia. Essas e outras tantas informações estão no capítulo Delícias Sazonais, parte integrante de Viagens Gastronômicas - 500 Lugares Extraordinários para Comer no Mundo Todo, que será lançado no dia 2 de dezembro. Produzido pela National Geographic e traduzido para o português, o livro desperta o desejo de fazer as malas a tempo de acompanhar a colheita de figo na Turquia, visitar o mercado indiano Chandni Chouk, em Nova Deli, e reservar lugar em um banquete kaiseki, em Kyoto. Um dos destaques do capítulo Requinte Supremo, o banquete kaiseki foi criado por monges budistas. É composto por 14 pratos, com ingredientes próprios da estação. O mesmo capítulo traz uma lista dos dez chefs que "maré não leva". Entre eles, estão os franceses Alain Ducasse, Joël Robuchon e o japonê Nobuyuki Nobu Matsuhisa, do Nobu. Com jeito de guia de viagem, a publicação é um pequeno manual de referência para comer bem. É especialmente recomendada para quem também se importa em conhecer um pouco mais sobre a história dos pratos e das pessoas que os consomem em partes remotas - e outras nem tanto - do mundo. O cuidadoso trabalho de pesquisa, texto e fotografia faz da obra uma viagem em si mesma. Considerando prioridades, talvez não haja disposição para viajar até Goa simplesmente para provar uma delícia local como o feni, bebida de coco duplamente destilada. Ou possibilidade de embarcar para Manila, nas Filipinas, só para devorar um lechón, porco inteiro assado no espeto cuja pele, de brilho resplandecente, parece anunciar sabor e uma crosta crocante. Mas, quem sabe, agendar para dezembro uma viagem para a Noruega? É nessa época gelada por lá que o lutefisk, prato viking feito de bacalhau, é mais apreciado. O peixe é mergulhado numa solução de soda cáustica e dessalgado por seis dias antes de ser cozido e adquirir consistência gelatinosa. Os outros capítulos levam a mercados imperdíveis, como o Ver-o-Peso, em Belém, e a comidas de rua, sem esquecer roteiros por vinhedos e cervejarias importantes. Para finalizar, uma parte dedicada às sobremesas destaca o nougat de Montélimar, na França, doce à base de clara, mel de lavanda, amêndoas e pistache. Em todos os capítulos, há uma série de listas - de botecos literários, festivais gastronômicos e outras surpresas culinárias - que só reforçam a vontade de viajar. Mesmo que seja para não sair do lugar. Viagens Gastronômicas (National Geographic), R$ 99,90

Cíntia Bertolino,

26 Novembro 2009 | 12h07

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