Paragominas é o exemplo a ser seguido

"Todo mundo aqui quer ser Paragominas", resume o gerente de hotel Cledson Mendonça, acostumado com o vai e vem de pecuaristas, representantes de ONGs e autoridades na cidade, que tem o município localizado mais ao norte do Pará como modelo a ser seguido.

SÃO FÉLIX DO XINGU (PA), O Estado de S.Paulo

18 Março 2012 | 03h08

Paragominas foi o primeiro município da Amazônia a deixar a lista de maiores desmatadores, em março de 2010.

"O que não vai ser sustentável no Pará é Paragominas virar uma ilha de legalidade. Ninguém deve ser diferente de Paragominas", observa o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do município, Mauro Lucio Costa, em visita a São Félix, na quarta-feira.

"São 40 anos de coisas erradas no Estado, que criaram um emaranhado de confusão", avalia.

Para a pecuária, prevê, o único caminho é aumentar a produtividade do gado. Com 8 km2 de pasto em sua propriedade, de mais de 43 km2, o pecuarista experimenta em parcela dos pastos tecnologia que permite a engorda de até 8 cabeças de gado por hectare. A produtividade média em São Félix do Xingu ainda está abaixo de uma cabeça por hectare, diz o presidente do sindicato local, Wilton Batista Costa Filho.

"Por que tem de parar de desmatar? Porque não tem mercado comprador para o produto do desmatamento", resume Costa Filho, engajado em convencer os colegas pecuaristas de São Félix a não apenas aderir ao Cadastro Ambiental Rural como avançar no processo de regularização ambiental e fundiária das propriedades.

Rodízio. Com 30 km2 de pasto, o piauiense Pedro Rodrigues Vieira, "médio" produtor rural de São Félix do Xingu, investiu no rodízio de pastos, que evita a degradação da área e à consequente derrubada de mais floresta. "Entre os produtores médios, todo mundo reclama: antes, a gente trocava de carro todo ano, agora não dá mais", diz Vieira, diretor do sindicato local, reticente em relação ao pacto contra o desmatamento fechado na região. "Hoje não pode nem sonhar em desmatar, não estamos ganhando dinheiro não", completou.

Vieira preencheu o Cadastro Ambiental Rural para liberar a venda dos bois nos frigoríficos. Em janeiro deste ano, cinco caminhões com 90 bois já haviam sido mandados ao frigorífico da JBS em Xinguara, quando a empresa apontou um registro de desmatamento na propriedade. "Um intermediário resolveu, não sei para qual frigorífico foi", revela. O produtor investe no georreferenciamento da propriedade para poder fazer uma nova venda.

São Félix do Xingu ainda não calculou o tamanho do passivo ambiental a ser recuperado às margens de rios e topos de morro e também em áreas de reserva legal. A lista dos municípios que mais desmatam engordou depois da saída de Paragominas e Querência. Reúne hoje 48 municípios. / M.S.

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