Paraguai espera fechar acordo sobre Itaipu esta semana

O governo paraguaio espera chegar esta semana a um acordo com o Brasil na negociação pela energia da usina binacional hidrelétrica Itaipu, após meses sem que as conversas sobre o assunto avançassem, disse nesta segunda-feira o chanceler Héctor Lacognata.

REUTERS

20 Julho 2009 | 14h54

Os dois países negociam há mais de um ano maiores benefícios para o Paraguai, que consome apenas 5 por cento da energia produzida na hidrelétrica e deve vender o excedente de forma exclusiva ao Brasil, de acordo com um tratado assinado pelos dois países no passado e com validade até 2023.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, do Paraguai, vão se reunir para falar de Itaipu no sábado, em Assunção, depois de concluída a reunião dos presidentes do Mercosul --bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

"Temos a expectativa de que nesta reunião de sábado finalmente cheguemos a um acordo próximo à reivindicação paraguaia", disse Lacognata a jornalistas.

Uma nova proposta brasileira incluiria a posibilidade de o Paraguai vender energia ao mercado brasileiro sem a intermediação da estatal Eletrobrás, o que significaria um benefício econômico para o país, que considera injusto o preço atual pago pelo Brasil. A usina tem capacidade instalada de geração de 14 mil megawatts.

A medida no entanto elevaria a tarifa de energia no mercado brasileiro, com prováveis impactos sobre a inflação.

Lacognata disse que esperava receber oficialmente o documento com essa proposta ainda nesta segunda-feira.

Procurado pela Reuters, o Ministério de Minas e Energia, responsável pela negociação, disse desconhecer qualquer nova proposta e que uma reunião esta semana entre o ministro Edison Lobão e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá definir possíveis mudanças em relação a Itaipu.

"Não existe nova proposta, ainda vai ter uma reunião em Brasília antes do encontro no Paraguai", disse um assessor do ministério.

Em Itaipu, a assessoria explicou que como a decisão é política, a empresa não irá se pronunciar.

Segundo uma fonte do governo brasileiro, o Itamaraty defende a proposta de alteração no Tratado de Itaipu, enquanto o Ministério de Minas e Energia é contra. Caberá ao presidente Lula decidir qual linha será adotada.

Um eventual acordo não encerraria, no entanto, as conversações sobre a usina, já que a pauta do Paraguai também inclui a renegociação do Tratado de Itaipu e a revisão da dívida de cerca de 19 bilhões de dólares, resultante da construção da hidrelétrica pela Eletrobrás.

O diretor paraguaio da binacional, Carlos Mateo, disse que, se a mudança se concretizar, "se abrirá uma grande possibilidade de que nosso país desenvolva mais seu setor energético", disse, apesar de reconhecer obstáculos pela falta de infraestrutura do país, uma das economias mais pobres da região.

A hidrelétrica, instalada no rio Paraná, produz anualmente 90 milhões de megawatts/hora, que abastecem pricipalmente a altamente industrializada região Sudeste do Brasil.

Um aumento na tarifa da usina --hoje estipulada em 45 dólares o megawatt--, poderia alimentar a inflação brasileira e atrapalhar a meta do governo.

(Por Daniela Desantis; reportagem adicional de Denise Luna, no Rio de Janeiro)

Mais conteúdo sobre:
ENERGIAITAIPU*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.