Paraguai só discutirá em 2010 adesão da Venezuela a Mercosul

Há resistência ao ingresso do país de Chávez, que depende do aval de todos membros do bloco

Marina Guimarães, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

O Paraguai só deve voltar a discutir o ingresso da Venezuela no Mercosul no próximo ano, e ainda assim mediante muita negociação política. A aprovação da matéria no Brasil pode abrir caminho para que o assunto retorne à agenda do presidente Fernando Lugo, mas não do Congresso. As divergências internas entre os partidos políticos e Lugo não favorecem o tratamento do projeto no Senado. "Não estão dadas as condições políticas nem a correlação de forças", explicou o vice-presidente da Casa, Sixto Pereira.

A entrada da Venezuela no bloco regional sofre dois tipos de resistências no Paraguai, uma política e outra ideológica, segundo análise do historiador paraguaio Guido Rodriguez Alcalá. A primeira diz respeito às operações da oposição para bloquear qualquer iniciativa de Lugo. A segunda está relacionada ao temor de que o governo local adote um viés "bolivariano".

O Partido Colorado e outras legendas de oposição veem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como autoritário e criticam seu afã de permanecer no poder. Eles temem que Lugo busque a reeleição, o que não é permitido pela atual Constituição paraguaia. "Aqui estão demonizando Chávez e não veem que esse tipo de associação é de Estados, vai além dos governos", opinou Alcalá

Aníbal Carrillo, secretário do Partido Popular Tekojoja, grupo de esquerda paraguaio, disse que a aproximação de seu país com a Venezuela "é vista como um apoio a Chávez e ao seu governo, cuja democracia não é efetiva".

Carrillo considera "muito difícil manter a resistência no Paraguai contra a Venezuela após a aprovação do Brasil". Mas chama a atenção para o fato de que "a oposição conservadora paraguaia não é tão globalizada como a do Brasil, onde há uma indústria poderosa e interessada em fazer negócios com a Venezuela".

Por esse raciocínio, seria mais fácil para a oposição "fechar sua posição ideológica contrária" ao país caribenho por causa da ausência de laços comerciais fortes entre empresários paraguaios e venezuelanos. No Brasil, setores da indústria interessados em ampliar as exportações para a Venezuela pressionaram o Senado a dar o sinal verde para o ingresso no Mercosul.

Assessores do presidente do Senado, Miguel Carrizoza, disseram que a questão só será discutida no Paraguai após a aprovação final pelo Brasil.

ANTECEDENTES

A Venezuela protocolou seu pedido de entrada no Mercosul em dezembro de 2005, mas só poderá ser considerada um membro efetivo do bloco após o aval dos parlamentos de todos os atuais integrantes. Argentina e Uruguai já aprovaram o pedido.

No Brasil, o ingresso do quinto integrante do Mercosul foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, após uma polêmica sobre a existência ou não de democracia na Venezuela. Ainda falta a palavra final do plenário.

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