Parceria também para leilões

Com bom volume de animais de boa qualidade e despesas divididas, produtores se associam na realização de remates

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 02h51

O pecuarista Humberto de Freitas Tavares, de Itirapuã (GO), é prova de que, para dar certo, a união entre criadores não precisa, necessariamente, se dar por meio de grandes grupos. Criador de nelore - ele possui cerca de 350 vacas registradas -, Tavares é membro-fundador do Grupo Provados a Pasto, que reúne, além dele, três pecuaristas, todos criadores da raça nelore, e um plantel total de 3.500 animais registrados. "O grupo surgiu em 1996, com o objetivo de produzir um número maior de animais com uma qualidade ótima", afirma. Hoje, os quatro criadores organizam e realizam, de maneira rotativa, as provas de ganho de peso a pasto e ofertam os melhores animais em leilões promovidos pelo próprio grupo. "A prova é realizada cada vez em uma fazenda e os animais ficam no local por dez meses, que é o tempo de duração da prova", explica Tavares. "Dessa maneira, os custos com estrutura e todo o trabalho ficam divididos." Para Tavares, a principal vantagem da união entre pecuaristas é que ela permite vôos mais altos. "Promover um leilão sozinho custa caro e é preciso que todos os lotes ofertados sejam de ótima qualidade. Fazer um leilão sem ter bons animais é um tiro no pé, é se queimar no mercado", avalia. "Realizar um leilão cooperativamente, ao contrário, é muito mais fácil, porque é possível conseguir animais ótimos em quantidade e, principalmente, dividir as despesas e os riscos", diz. "A parceria nos permite fazer coisas que não faríamos sozinhos." Cooperativa No Paraná, programa do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e da Secretaria de Agricultura reúne produtores de novilho precoce e superprecoce em alianças e cooperativas. A idéia, diz o zootecnista Luiz Fernando Brondani, coordenador do programa, é produzir animais superprecoces - com 18 meses, em média - e agregar valor para o pecuarista, já que o abate é feito na própria cooperativa e não há diferenciação de preços entre machos e fêmeas. "Não são vendidos animais, mas carne." Hoje, sete cooperativas e duas alianças congregam 206 criadores e são responsáveis pelo abate de 90 mil cabeças por ano. "Mas há potencial para dobrar esse volume", garante.

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