Parceria torna criação viável para pequenos

Criador empresta um touro e dez fêmeas para parceiros. Depois que iniciante se capitaliza, devolve os animais

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2008 | 02h22

A criação de búfalos é uma das atividades na propriedade do agricultor Antonio Geraldo Fanton, de 150 hectares, em Bariri, município vizinho a Jaú. O rebanho de Fanton tem 50 fêmeas em lactação. Toda a produção é vendida para o laticínio Almeida Prado, de Maria Cecília. "Comecei a criar búfalos de corte há 25 anos, mas fomos percebendo as vantagens do leite e mudamos o perfil da criação", diz Fanton, que conta com a ajuda do filho Ulisses para manter a criação de bubalinos, a lavoura de cana e o pequeno plantel de aves. "Tem de diversificar. Ano passado a cana estava com um preço ótimo, mas este ano não está indo bem. Daí temos os búfalos, que é um mercado estável e garante boa renda." Ele destaca ainda outras vantagens dos bubalinos: "São animais rústicos, que não têm mosca-do-chifre, nem berne, e precoces: começam a produzir com 2,5 anos."Com a boa renda garantida pela atividade, o próximo passo é melhorar a qualidade do plantel. "Já trocamos os touros reprodutores por animais geneticamente melhorados, e estamos investindo agora em fêmeas para aumentar a produtividade média de 6 litros por animal/dia."TerceirosEm Natividade da Serra, no Vale do Paraíba, o criador Cláudio Varella Bruna também precisa de fornecedores para dar conta da produção de seu laticínio, que industrializa cerca de 700 litros de leite de búfala por dia. Seu rebanho, de 50 búfalas em lactação, produz uma média de 250 litros/dia. "O restante compro de 17 criadores fornecedores de leite aqui na região", diz ele.Mas a produção do laticínio começou a aumentar mesmo depois da criação do selo de pureza, diz ele. "Antes eu não conseguia ampliar as vendas por causa dos produtos que são vendidos como de búfala, mas são misturados." Segundo ele, esses produtos alterados geralmente custam mais caros que a mussarela bovina, mas mais baratos do que a fabricada com 100% de leite de búfala.Para atender à demanda, Varella desenvolveu uma espécie de parceria com agricultores da região para fomentar a criação de bubalinos. "Eu emprestava 11 animais, 10 fêmeas e 1 touro, para o criador começar a formar seu rebanho", conta. "Depois esse parceiro tinha sete anos para me devolver aqueles animais. Nesse período ele ficava obrigado a me entregar toda a produção de leite e era o tempo de se capitalizar e aumentar o plantel."Varella também incentiva o melhoramento genético dos plantéis de bubalinos. "Eu pago um preço diferenciado, de acordo com a qualidade do leite", garante. A qualidade, diz ele, leva em conta teor de gordura, proteína, células somáticas (ligado à mastite) e redutase (carga bacteriana do leite)."Essas qualidades dependem da genética do animal, da qualidade da fêmea e da alimentação, além da higiene." O preço pago ao produtor varia entre R$ 0,85 e R$ 1,21. Na região, compara o produtor, o preço pago pelo litro de leite de vaca é R$ 0,65.

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