''Parece que as crianças não sabem mais brincar em grupo''

Lidia Aratangy, PSICÓLOGA

, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

O que significa uma escola usar o recreio para sugerir atividades às crianças?

Parece que nossas crianças não sabem mais brincar, não sabem usar o espaço. O que eu gostaria que fosse feito é que ensinassem, mas depois deixassem elas brincarem. Pode ser muito útil nesse sentido.

Então é uma boa iniciativa?

Se não for todo o dia, para não perder o sentido do recreio. Pode servir para resgatar o sentido do recreio, ensinar a brincar em grupo. Mas, para isso, depois tem de largar as crianças, não ter nada organizado, dar a chance do não fazer nada. Ensinar e então ir embora.

As crianças não sabem brincar porque têm muitas tarefas?

Não é só isso. As casas têm cada vez menos espaços - na verdade, quase todo mundo mora em apartamento - e ninguém mais brinca na rua. Tem brincadeiras que desapareceram totalmente, como bola de gude. Muitas dessas brincadeiras coletivas não existem porque não existem mais grupos. Cada criança está lá falando no seu Orkut.

As brincadeiras de antigamente fazem falta?

Acho uma pena qualquer manifestação cultural que se perde. Faz muita falta para as crianças o brincar com colegas, o exercício da fantasia. O brincar não é só um ensaio para a vida adulta, é também um exercício de fantasia e contato com os outros.

A senhora acredita que as crianças estão superprotegidas?

Tenho um pouco de medo de falar que elas são superprotegidas, porque vivemos em um mundo muito violento. Elas estão muito protegidas mesmo, os pais têm muito medo, mas não dá para dizer que estão paranoicos; o mundo está mais perigoso. Se tem um ambiente em que ela pode brincar um pouco mais protegida, que é a escola, que pelo menos lá ela brinque.

Como deve ser o recreio ideal?

Conheço escolas com recreios maravilhosos, mas adianta dizer que o ideal era que tivesse lugar para que as crianças sentassem à sombra, que tivesse espaço para a criança correr, praticar um esporte? Fica até meio melancólico. O que se deve fazer é aproveitar o que se tem da melhor maneira.

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