Parlamento do Irã critica Mousavi

Um terço dos deputados acusa líder opositor de 'prejudicar a imagem' do sistema eleitoral iraniano

Reuters, AP E AFP, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2009 | 00h00

Mais de cem parlamentares iranianos - um terço do Parlamento - enviaram ontem ao procurador-geral do país uma queixa contra o líder da oposição Mir Hossein Mousavi, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 12 de junho, por "prejudicar a imagem do sistema eleitoral do país".

Mousavi não aceitou o resultado das eleições e denunciou fraude na votação que há quatro meses reelegeu o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad. A oposição diz que mais de 70 pessoas morreram na repressão aos protestos pós-eleitorais, com milhares de manifestantes sendo presos por contestar os resultados.

Mais de cem ativistas, jornalistas, advogados e ex-funcionários do governo ainda continuam presos. Até agora, três foram condenados à morte. Os distúrbios, após as eleições de junho, foram considerados os mais graves no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

"As declarações e as ações de Mousavi danificaram severamente a imagem do sistema islâmico, por isso os parlamentares entregaram a queixa ao procurador-geral", disse o deputado governista Hamid Rasaie à agência de notícias Fars.

"Esperávamos que Mousavi abandonasse suas atividades alinhadas com os inimigos do Irã. Mas, como ele não desistiu, forçou-nos a apresentar a queixa", completou Rasaie, um dos mais ferrenhos defensores de Ahmadinejad no Parlamento iraniano.

Uma corte formada após os protestos eleitorais condenou ontem o acadêmico iraniano-americano Kian Tajbakhsh a mais de 12 anos de prisão As acusações foram de espionagem, contato com agentes estrangeiros e atuação contra a segurança nacional do país. Tajbakhsh era o único americano entre os manifestantes julgados até agora. Ele terá 20 dias para recorrer da decisão da Justiça. Em 2007, Tajbakhsh já havia permanecido quatro meses numa prisão iraniana por atentar contra a segurança nacional.

O episódio pode minar os esforços americanos de atrair Teerã para um diálogo sobre o programa nuclear iraniano. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, disse que a Casa Branca está "profundamente preocupada" com a situação de Tajbakhsh. Para Kelly, a Justiça deveria considerar que o manifestante não representa perigo para o governo iraniano.

PRESSÃO

Em agosto, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também já havia pedido a libertação de Tajbakhsh. A situação do cidadão americano também motivou o cantor pop britânico Sting a pedir sua libertação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.