Parnamirim emenda com Natal e recebe imigrantes de todo o RN

Pelo menos 60% dos moradores vieram de fora; a cidade cresce 'de fora para dentro' e centro continua acanhado

, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Quem vai de Natal para Parnamirim não percebe quando cruza a divisa entre os municípios. As torres de edifícios de 15 a 20 andares formam uma linha contínua através da divisa das duas cidades. Condomínios de casas de alto padrão, destinados à classe média alta que trabalha em Natal, espalham-se pela periferia de Parnamirim. Uma fábrica da Coca-Cola foi vendida para uma construtora, que fará 8 torres com 16 apartamentos cada. Já o centro se mantém intacto, com o comércio e casas acanhadas, típicos de cidade do interior.

"Parnamirim cresce de fora para dentro", define o economista Giovani Rodrigues Júnior, de 47 anos, dono do restaurante Paçoca de Pilão, na praia de Pirangi. Ele fechou o restaurante que tinha em Natal e transferiu-se para Parnamirim em 2006, em busca de qualidade de vida. "Lá morávamos em apartamento; aqui, numa casa num condomínio fechado", diz Rodrigues, que tem dois filhos, uma de 16 e um de 14. "Para eles foi muito bom." Professor de economia na Universidade Potiguar, em Natal, ele leva meia hora para chegar lá. Em 2006, eram 20 minutos. Mesmo assim, considera que vale a pena.

O prefeito Maurício Marques (PDT) estima que pelo menos 60% dos moradores de Parnamirim não nasceram na cidade. Se os 70 mil moradores que Parnamirim ganhou nos últimos dez anos constituíssem uma cidade, ela seria a quarta maior do Estado. Do outro lado, 46 municípios do Rio Grande do Norte perderam população, o que indica um impressionante movimento - sobretudo de jovens que terminam o ensino médio e saem em busca de oportunidades de trabalho ou de estudo superior, observa Vicente Neto, assessor de imprensa da prefeitura.

Eduardo Gomes, de 35 anos, veio há 12 de Areia Branca, região de salinas a 300 km de Natal, onde trabalhava numa empresa marítima. "Mudamos por causa das dificuldades de trabalho", diz Gomes, que veio com a mulher, Maria Ildete, de 25 anos. "Lá é cidade pequena." Ele trabalha como auxiliar de serviços gerais numa empresa de eventos em Natal. Ganha R$ 1 mil e construiu uma casa no bairro pobre de Bela Vista, cujas ruas de areia e lama foram calçadas pela prefeitura no último ano. "Melhorou um bocadinho, mas tem muito para melhorar na parte de segurança", reclama Gomes. Ele diz que depois das 22 horas não se pode andar pelo bairro, por causa de assaltos. "Quando trabalho até 23 horas, durmo no serviço."

O crescimento, conjugado com a pobreza no entorno, sobrecarrega os serviços públicos. A Emenda 29, à espera de regulamentação, prevê que os municípios devem gastar no mínimo 15% de suas receitas com a saúde. Parnamirim aplica 47% - mais de R$ 2 milhões por mês. Sua maternidade, suas clínicas com 32 especialidades, seus laboratórios e serviços odontológicos atraem moradores de todo o agreste do Estado. Algumas das ambulâncias que estacionam na porta dos serviços de saúde são de municípios que têm convênios com a prefeitura; outras, não. "Atendemos a todos, porque os médicos não querem ser acusados de omissão de socorro", diz o prefeito.

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