Parte da equipe econômica já vê PIB crescendo menos de 3%--fonte

O mau resultado da economia no primeiro trimestre, que deve mostrar expansão entre 0,3 e 0,5 por cento, está levando parte da equipe econômica a rever para baixo a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) nos trimestres seguintes. E com consequências para o ano todo, que deve fechar com avanço abaixo de 3 por cento.

TIAGO PARIZ E LUCIANA OTONI, REUTERS

29 Maio 2012 | 20h19

Dentro da equipe econômica, havia contas iniciais apontando para uma alta em torno de 1 por cento da economia entre abril e junho deste ano, mas estão sendo revisadas e ficarão entre 0,6 e 0,7 por cento, segundo uma fonte da equipe econômica relatou à Reuters.

"Até agora não vimos nada que mereça tal otimismo (de uma variação mais próxima de 1 por cento)", disse a fonte, que trabalha com dois cenários.

No mais pessimista, o PIB mostraria crescimento de 0,50 por cento no primeiro trimestre, de 0,7 por cento no segundo e de 1 por cento tanto no terceiro quanto no quarto períodos, fechando o ano com, no máximo, expansão de 2,64 por cento.

Segundo a fonte, um cenário mais otimista para terceiro e quarto trimestres leva em conta a permanência da Grécia na zona do euro, a inflação no centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA, e "taxa Selic mais baixa". Hoje, a taxa básica de juros do país está em 9 por cento ao ano e deve ser reduzida a 8,50 por cento nesta quarta-feira, segundo pesquisa da Reuters.

Com isso, o terceiro e o quarto teriam uma variação positiva de 1,2 por cento cada, encerrando o ano com crescimento de 2,8 por cento para 2012, informou a fonte.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou à Reuters na segunda-feira que o PIB brasileiro deverá crescer entre 3 e 4 por cento em 2012, abaixo dos 4,5 por cento previstos antes.

A preocupação dentro da equipe da presidente Dilma Rousseff também envolve o setor industrial, cuja recuperação será determinante para o futuro da atividade. "Até o momento, a atividade está muito concentrada no setor serviço", acrescentou uma segunda fonte.

Apesar do cenário mais complicado no curto prazo, as avaliações também mostram que, no segundo semestre, a atividade econômica estará acelerando e deve encerrar o ano rodando entre 4 e 4,5 por cento.

OTIMISMO

Diante do números piores, o governo terá o trabalho de manter o ânimo da sociedade, incluindo o setor produtivo. Mantega falará, por exemplo, que o resultado do PIB nos três primeiros meses do ano é passado e que o importante é que a partir de maio a atividade começará a reagir.

Em outra área do Ministério da Fazenda, a indicação é que as reduções já feitas na taxa Selic e as medidas de incentivo adotadas começarão a gerar efeito no segundo trimestre e surtirão efeito pleno no segundo semestre.

"Tomamos várias medidas, tanto do ponto de vista do crédito, quanto de incentivo e isso surtirá efeito".

No Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o secretário-executivo, Alessandro Teixeira, disse que a ordem da presidente Dilma Rousseff é que a economia brasileira seja blindada.

"O governo está muito com o pé no chão quanto ao andamento da economia. É uma ordem da presidente Dilma Rousseff estarmos plugados na economia mundial. Em nenhum momento, o governo brasileiro vai ser pego de surpresa com o cenário internacional e isso é muito claro no trabalho do Ministério da Fazenda", comentou.

Teixeira comentou que o segundo semestre será melhor que o primeiro e que um dos fatores é que a economia norte-americana tem dado alguns sinais de recuperação. Para ele, o crescimento do PIB neste ano ficará entre 2,5 por cento e 3 por cento. "O cenário (externo) está pior em 2012 do que em 2011", complementou.

Ele observou, no entanto, que o governo possui instrumentos para proteger a economia do agravamento da crise externa. "O governo vai resguardar a economia brasileira em tudo o que estiver ao seu alcance".

Além das medidas já adotadas e da redução dos juros em curso, Teixeira disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um instrumento importante e que o governo também pode adotar outras medidas para incentivar o consumo e ampliar os gastos públicos em infraestrutura.

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