Participação especial terá impacto limitado no caixa da Vale--Goldman

Os pagamentos de participações especiais que deverão incidir sobre a exploração de grandes reservas de mineração no Brasil terão um impacto menor sobre a Vale do que tem estimado o mercado ao antecipar perdas nas ações da companhia, afirmou nesta segunda-feira o banco Goldman Sachs.

Reuters

25 de março de 2013 | 17h38

"Acreditamos que, caso sejam implementadas, (as participações especiais) serão apenas para projetos em desenvolvimento, novos, e que esta taxação será no máximo metade da sugerida para óleo e gás", disse à Reuters o analista Marcelo Aguiar, vice-presidente da divisão de mineração, siderurgia do banco de investimento.

Com estes pressupostos, o banco de investimento projeta que a nova cobrança poderá reduzir no próximo ano em 0,6 por cento, ou em 145 milhões de dólares, a geração de caixa medida pelo Ebitda da companhia (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação), de acordo com relatório distribuído aos clientes nesta segunda-feira.

O governo estuda incluir no novo marco regulatório da mineração a cobrança de participações especiais sobre a produção de grandes jazidas, tal como ocorre no setor de petróleo, no qual incidem taxas de até 40 por cento da produção de campos de alta produtividade.

"Nós adaptamos e simplificamos a metodologia e o cálculo das participações especiais na indústria do petróleo para as especificidades da situação do minério de ferro... as taxas para a mineração poderão ser menores do que para petróleo e gás dado que as mineradoras enfrentam uma competição global difícil, com preços fixados no mercado internacional", diz o relatório.

No pior dos cenários, com taxas parecidas com as do setor de petróleo, o desconto no Ebitda seria de 7,1 por cento, segundo cálculos do banco.

O banco atribui a queda no valor dos papéis da Vale principalmente ao temor do mercado com a implementação das participações especiais. Nos últimos três meses, as ações da Vale perderam 15 por cento de valor no mercado brasileiro.

Nesta segunda-feira, as ações da mineradora recuavam 1,6 por cento às 15h57, enquanto o Ibovespa perdia 0,68 por cento.

(Reportagem de Sabrina Lorenzi; Edição de Gustavo Bonato)

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