Partidários do governo perseguem manifestantes no Iêmen

Brandindo paus e adagas, centenas de partidários do governo do Iêmen perseguiram nesta quinta-feira um pequeno grupo de manifestantes que tentava iniciar o sétimo dia de protestos contra o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos.

MOHAMMED GHOBARI E KHALED ABDULLAH, REUTERS

17 de fevereiro de 2011 | 09h23

A polícia perdeu o controle sobre o grupo governista que tentava atacar cerca de cem oposicionistas reunidos na Universidade de Sanaa.

Mas depois, quando os manifestantes fugiam, os policiais conseguiram evitar que os agressores saíssem no seu encalço por becos da região. Um repórter da Reuters disse que mais tarde o grupo da oposição tentava se reagrupar.

Os protestos, inspirados nas recentes revoluções da Tunísia e do Egito, são mais um problema para Saleh, um aliado dos EUA que enfrenta também a atividade da Al Qaeda e rebeliões no norte e no sul do país, um dos mais pobres do mundo árabe.

Na opinião de Khaled Fattah, acadêmico especializado em Iêmen na Universidade Saint Andrews, da Escócia, Saleh tem menos chances de ter o mesmo destino do egípcio Hosni Mubarak, deposto após 18 dias de protestos, porque no Iêmen a autoridade é mais fragmentada, e não existe uma classe média forte como no Egito.

"A continuidade dos protestos, no entanto, pode pressionar o governo de Saleh a oferecer mais concessões políticas ao movimento (separatista) do sul. Tais concessões poderiam levar à adoção de um sistema federal", acrescentou Fattah.

Saleh já fez algumas concessões, como a promessa de deixar o poder em 2013 e não transferi-lo ao seu filho. Partidos de oposição aceitaram uma oferta de diálogo com o governo, mas manifestações espontâneas continuam ocorrendo - embora já não mais atraindo dezenas de milhares de pessoas.

Os novos protestos vêm sendo convocados apenas por mensagens de celular e pelo Facebook, sem envolvimento dos partidos políticos. Grupos pró-governo também se mobilizam para conter as manifestações, às vezes com violência.

Na quarta-feira, um manifestante foi morto na cidade portuária de Áden (sul), quando a polícia fez disparos para conter os manifestantes. Foi a primeira morte desde o início da onda de protestos.

Saleh, que tem visitado províncias do país diariamente para tentar reforçar sua base de apoio, disse nesta quinta-feira que formará uma comissão para investigar os incidentes em Áden.

Em Sanaa, partidários de Saleh acampam há uma semana na praça Tahrir, a principal da cidade - e homônima do epicentro dos protestos no Egito -, para evitar que ela seja ocupada por manifestantes.

Mas em Taiz, ao sul de Sanaa, os manifestantes antigoverno ocuparam a praça principal dias atrás. Milhares de pessoas chegam a se concentrar ali durante as noites, e o número diminui ao alvorecer.

(Reportagem adicional de Alistair Lyon e Erika Solomon)

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