Partido de Putin garante vitória em eleições russas

Em meio a protestos e denúncias de fraude, resultados preliminares indicam vitória de presidente no Parlamento

Agências internacionais,

03 de dezembro de 2007 | 06h20

Com mais de 80% dos votos apurados, os resultados oficiais preliminares indicam que o partido do presidente Vladimir Putin, o Rússia Unida, venceu as eleições parlamentares russas com 63% dos votos. Veja também: Entenda as eleições parlamentares na Rússia O Partido Comunista, de oposição, conseguiu garantir os votos necessários para ingressar na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. Outras duas siglas - o Rússia Justa e o Partido Liberal Democrata - aliadas de Putin, também asseguraram a entrada na Duma, que exige um mínimo de 7% dos votos. Segundo a comissão eleitoral, o comparecimento às urnas foi alto, com participação de mais de 60% dos russos. O Partido Comunista afirmou que vaio contestar o resultado das eleições e decide, em reunião nesta segunda-feira, se vai boicotar o novo parlamento.  "Não confiamos nos resultados anunciados pela comissão eleitoral e vamos conduzir uma contagem paralela", afirmou o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov. Zyuganov já havia comentado que as eleições deste domingo foram as menos democráticas realizadas no país desde o fim da União Soviética. Em Washington, um porta-voz da Casa Branca disse que as autoridades russas deveriam investigar as alegações de fraude. O órgão independente de monitoramento   Segundo partidos da oposição e de organizações internacionais, jovens foram levados de ônibus a vários postos eleitorais para votar mais de uma vez, numa tática conhecida como "carrossel". Partidários de Putin também foram acusados de prometer prêmios e presentes para quem votasse no Rússia Unida. A única organização de observação independente da Rússia, a Golos, disse que a fraude foi sistemática.   O diretor da comissão eleitoral da Rússia, Vladimir Churov, disse que não houve irregularidades na votação. O líder do Rússia Unida, Boris Gryzlov, admitiu que houve algumas irregularidades, mas disse que elas não devem influenciar o resultado.   O principal líder da oposição, o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov, também não poupou críticas. "Eles não estão apenas fraudando a votação, eles estão violentando todo o sistema eleitoral", acusou o oposicionista, que fez questão de mostrar sua cédula de votação totalmente rasurada. O Kremlin, no entanto, comemorou os resultados, considerados uma vitória pessoal para Putin - que terá de deixar a presidência no ano que vem, uma vez que a Constituição não permite o terceiro mandato. Numa possível manobra política, Putin, que deve ser nomeado primeiro-ministro, poderia voltar ao cargo se o novo presidente, que será eleito em março de 2008, renunciar. Segundo a BBC, o  presidente russo havia afirmado que um resultado positivo nas eleições iria garantir poder político depois que o mandato presidencial chegasse ao fim, no próximo ano. Putin deve deixar a Presidência em março, mas ele tem indicado que pretende manter uma presença forte na vida política russa. O presidente já havia comentado, no início deste ano, que poderia tentar se candidatar a primeiro ministro depois do fim do mandato.

Tudo o que sabemos sobre:
Vladimir PutinRússiaeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.