Partido deve nomear Motlanthe como presidente sul-africano

Presidente do Parlamento, Zuma afirma que seu aliado estará pronto para o cargo caso seja escolhido

Reuters e Associated Press,

22 de setembro de 2008 | 08h12

O Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista da África do Sul, deve nomear na quinta-feira, 25, o seu vice-líder, Kgalema Motlanthe, como presidente interino do país, substituindo o presidente Thabo Mbeki, disseram membros do partido no Parlamento. Motlanthe, que já trabalha no gabinete, foi escolhido para substituir Mbeki até as eleições, que ocorrem em abril do ano que vem, durante uma reunião da liderança parlamentar do CNA, informaram membros do partido sob a condição de anonimato. A renúncia de Mbeki também será formalizada na quinta-feira.   O líder do CNA, Jacob Zuma, em entrevista coletiva na segunda-feira, disse que o partido vai anunciar seu escolhido antes das eleições, "no momento apropriado", e afirmou que Motlanthe estaria pronto se fosse o escolhido. Segundo Zuma, as políticas econômicas do país continuarão estáveis e inalteradas após a renúncia de Mbeki. O Parlamento se reúne às 9h (de Brasília) e a nomeação de Motlanthe pode ser submetida a uma votação-relâmpago na segunda-feira, mas a aprovação pela assembléia escolhida pelo CNA é praticamente certa.   O porta-voz do CNA, Khotso Khumalo, disse que o Parlamento vai escolher o presidente nos próximos dias. Khumalo se recusou a comentar se Motlanthe foi nomeado presidente para assumir o cargo de Mbeki. "A liderança política está abordando a questão e contactando o chefe de justiça e, a partir daí, haverá nomeação ou votação, entre hoje e quinta-feira", disse Khumalo.   Mbeki, presidente da África do Sul pelo maior período de crescimento econômico, disse em um discurso televisionado, feito no domingo, que apresentou sua renúncia depois que o CNA o pediu para abandonar o cargo antes do fim do mandato, no ano que vem. A queda de Mbeki tomou forma após um juiz retirar acusações de corrupção contra seu maior rival, Jacob Zuma, presidente do CNA, partido que governa o país desde o fim do apartheid, em 1994. No despacho que inocentou Zuma, o juiz sugeriu que houve interferência política no caso, enfurecendo militantes pró-Zuma, que são maioria dentro do partido.   Desde que assumiu o poder, em 1999, Mbeki conduziu o país por uma década de grande crescimento econômico, o mais longo período de expansão na história sul-africana. No entanto, ele foi duramente criticado por não enfrentar os problemas centrais da África do Sul, como a pobreza, a criminalidade e a proliferação da aids. A imagem do presidente também sai arranhada, tanto interna quanto externamente, por sua atuação passiva diante da crise no vizinho Zimbábue. Mbeki foi um ativo combatente na luta contra o regime de segregação racial, que teve apoio irrestrito de Robert Mugabe, líder zimbabuano. Em razão dessa relação histórica, o governo de Mbeki jamais pressionou para que houvesse uma abertura política no país vizinho.   A notícia da saída de Mbeki ajudou a enfraquecer os negócios do país, apesar dos operadores dizerem que os movimentos políticos não alteram a performance da moeda no curto prazo. Analistas dizem que a moeda sul-africana, que caiu 1,7%, vai continuar vulnerável durante o período de transição e que a troca de poder vai ter um impacto negativo.

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