Partido governista angolano acusa oposição de tumulto pré-eleitoral

O partido MPLA, que governa Angola desde a independência, acusou três grupos de oposição de estarem promovendo distúrbios durante a campanha para a eleição geral de 31 de agosto, ao ajudarem veteranos da guerra civil a planejarem protestos pelo pagamento de subsídios atrasados.

Reuters

09 de agosto de 2012 | 20h09

A acusação reflete as tensões na atual campanha eleitoral, a segunda após o fim, em 2002, de uma guerra civil que durou 27 anos.

O porta-voz do MPLA, Rui Falcão, disse em entrevista coletiva que seu partido tem feito uma campanha limpa, mas que "infelizmente esse não tem sido o tom seguido por alguns dos partidos da oposição".

"“Está claro nas transmissões de campanha deles que desejam distorcer e manipular, e é isso que eles têm feito com os ex-soldados", disse Falcão. "“Soubemos que há planos para manifestações, distúrbios, em 12 de agosto e 18 de agosto", acrescentou. "“Caberá aos órgãos estatais agir e, se necessário, restaurar a ordem pública."

Segundo eles, os partidos envolvidos no apoio aos protestos são a Unita, principal grupo da oposição, o Casa-CE, formado neste ano por um ex-dirigente da Unita, e o PRS, que tem oito deputados.

o porta-voz da Unita, Alcides Sakala, negou as acusações. "Elas são completamente falsas, sem fundamento. São declarações feitas para desviar a atenção das questões verdadeiras, dadas as dificuldades que o MPLA está a enfrentar na campanha, já que a Unita continua a reunir um grande apoio."

Milhares de veteranos participaram de passeatas nos últimos dois meses, pedindo o pagamento de pensões e subsídios atrasados. Líderes dos protestos dizem que cerca de 60 mil veteranos aguardam esses pagamentos.

A polícia usou disparos de advertência e gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação, e fez várias detenções em outra.

Falcão disse que o governo está tentando resolver o problema, mas que o grande número de solicitações impede que o processo seja mais veloz.

Pela Constituição de 2010, o líder da lista partidária mais votada na eleição parlamentar se torna presidente, sem uma votação em separado.

José Eduardo dos Santos, no poder há 32 anos, deve conseguir um novo mandato, ajudado pelo controle do MPLA sobre a imprensa estatal e por ter mais recursos para a campanha.

MPLA e Unita se enfrentaram entre 1975 e 2002 numa guerra civil que devastou a ex-colônia portuguesa, hoje é o segundo maior produtor de petróleo da África.

(Reportagem de Shrikesh Laxmidas)

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