Partido islâmico declara vitória em eleição na Tunísia

O resultado oficial da primeira eleição livre na história da Tunísia deve ser anunciado nesta terça-feira, dando vitória a um partido islâmico moderado e apontando uma tendência para outros países envolvidos na chamada Primavera Árabe.

TAREK AMARA E CHRISTIAN LOWE, REUTERS

25 de outubro de 2011 | 09h42

O partido Ennahda disse que, segundo a sua apuração paralela, a legenda foi vitoriosa na eleição de domingo, a primeira depois da onda de rebeliões populares que começou em dezembro de 2010 na Tunísia e se espalhou a outros países da região, levando à queda dos regimes do Egito e Líbia, e causando profundas convulsões na Síria e Iêmen.

"Os primeiros resultados confirmados mostram que o Ennahda obteve o primeiro lugar", disse o coordenador de campanha Abdelhamid Jlazzi diante da sede do partido, no centro de Túnis. Ao ouvirem a notícia, mais de 300 simpatizantes começaram a gritar "Allahu Akbar" ("Deus é grande"), e alguns entoaram o hino nacional.

Cientes de que algumas pessoas na Tunísia e no exterior veem os políticos islâmicos como uma ameaça a valores modernos e liberais, dirigentes do Ennahda salientaram a disposição em formar alianças com dois partidos laicos, o Congresso pela República e o Ettakatol.

"Não vamos poupar esforços para criar uma aliança política estável na Assembleia Constituinte. Tranquilizamos os investidores e os parceiros econômicos internacionais", afirmou Jlazzi.

A votação de domingo, com comparecimento superior a 90 por cento do eleitorado, escolheu os parlamentares que passarão um ano redigindo a nova Constituição e que nomearão um governo provisório, que permanecerá até a realização de eleições no final de 2012 ou começo de 2013.

O sistema eleitoral tinha mecanismos para tornar quase impossível que um só partido formasse a maioria, o que dilui o poder do Ennahda e o obriga a formar alianças.

"Este é um momento histórico", disse Zeinab Omri, uma jovem com a cabeça coberta por um hijab (lenço), em frente à sede do Ennahda. "Ninguém pode duvidar desse resultado. Esse resultado mostra muito claramente que o povo tunisiano é um povo ligado à sua identidade islâmica", afirmou.

O Ennahda é dirigido por Rachid Ghannouchi, um acadêmico que passou 22 anos exilado na Grã-Bretanha devido a perseguições sofridas durante o governo do presidente Zine al Abidine Ben Ali. Moderado, ele usa ternos e camisas de colarinho aberto, enquanto sua mulher e sua filha vestem o hijab.

Ele diz que seu modelo é a Turquia do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, um político islâmico moderado em um sistema estritamente laico, e insiste que seu partido não irá impor nenhum código de moralidade à sociedade tunisiana ou aos milhões de turistas ocidentais que veraneiam em suas praias.

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