Partido oposicionista se afasta do diálogo político no Egito

Um partido oposicionista egípcio afastou-se das conversações com o governo sobre reforma política, nesta quinta-feira, dizendo que a administração do presidente Hosni Mubarak não respondeu "ao nível mínimo das reivindicações populares".

REUTERS

10 de fevereiro de 2011 | 12h37

O Partido Tagammu foi o primeiro a anunciar sua retirada do diálogo que o vice-presidente Omar Suleiman iniciou no domingo para tentar acalmar o sentimento de ira que alimenta os protestos em massa.

Manifestantes vêm dizendo que o diálogo é irrelevante para sua reivindicação de que Mubarak encerre agora seus 30 anos no poder, como primeiro passo em direção a reformas políticas profundas.

A Irmandade Muçulmana, o mais influente e organizado dos grupos de oposição, disse na quarta-feira que as conversações ainda não trataram das questões que desencadearam as manifestações de protesto que varrem o Egito há mais de duas semanas.

Mas a Irmandade, movimento oposicionista formalmente proibido, não chegou a abandonar as conversações, apesar de declarar sua desconfiança quanto às intenções do governo.

Até agora só houve uma sessão do diálogo, e ainda não foi marcada data para outra. Partidos oposicionistas legalizados, como o Tagammu e o Wafd, participaram da sessão, ao lado de figuras independentes, como o magnata Naguib Sawiris.

Explicando sua decisão em comunicado à imprensa, o Tagammu criticou a maneira como o governo está tratando o diálogo, dizendo que os anúncios oficiais sobre o que foi acordado são incorretos.

"Declarações inaceitáveis" por parte das autoridades colocaram os participantes no diálogo "em posição contrária à da revolução popular", disse ele.

Depois da primeira sessão, alguns dos partidos oposicionistas disseram que o ambiente tinha sido positivo, apesar de o governo não ter feito nenhuma concessão que satisfizesse os manifestantes.

Dois grupos oposicionistas afirmaram que os participantes não assinaram um comunicado divulgado após o encontro. O comunicado dizia que eles tinham chegado a um acordo sobre medidas que incluíam a criação de um comitê para estudar reformas constitucionais.

Em comunicado lido por Suleiman na terça-feira, Mubarak saudou o que descreveu como "diálogo nacional".

O oposicionista Mohamed ElBaradei, que não foi convidado, disse que falta credibilidade às conversações e que elas estão sendo comandadas pelas mesmas pessoas que controlaram o Egito nas últimas três décadas.

(Reportagem de Tom Perry)

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