Partidos belgas definem acordo para fechar usinas nucleares

O governo belga anunciou nesta segunda-feira um acordo partidário para desativar as duas usinas nucleares restantes no país, pertencentes à empresa Electrabel, subsidiária da GDF-Suez.

ROBERT-JAN BARTUNEK, REUTERS

31 de outubro de 2011 | 09h00

A intenção é desligar os três reatores mais antigos até 2015, e completar a desativação até 2025, desde que haja suficientes fontes energéticas alternativas para evitar um apagão.

"Se acontecer de não enfrentarmos escassez e de os preços não dispararem, pretendemos manter a lei de saída nuclear, de 2003," disse uma porta-voz do ministério belga de Energia e Clima.

A Bélgica, que tem sete reatores e duas usinas, aprovou em 2003 uma lei que previa sua desativação.

O acordo definido no domingo fez com que as ações da GDF Suez abrissem na segunda-feira em baixa de até 4,5, pior desempenho do índice Stoxx 600 de empresas elétricas europeias, que operava em baixa de 0,8 por cento às 7h30 (hora de Brasília).

A hostilidade popular à energia nuclear cresceu desde o acidente nuclear na usina japonesa de Fukushima, o que levou a Alemanha, maior economia europeia, a anunciar a intenção de desativar todas as suas usinas atômicas até 2022.

A energia nuclear não emite carbono, e os planos da Alemanha geram o temor de que sua matriz energética se torne mais poluente. As fontes renováveis - como energia eólica ou solar - podem ser intermitentes, o que exige o uso do carvão e do gás como reservas.

A Electrabel disse nesta segunda-feira que não irá comentar o plano dos políticos belgas, por ainda não ter sido oficialmente comunicada.

Em 2009, a Bélgica decidiu manter seus reatores mais antigos em funcionamento durante dez anos a mais do que previa a lei de 2003, mas essa mudança não chegou a entrar em vigor, já que o governo que a aprovou perdeu o poder.

A Bélgica agora irá negociar com investidores para buscar uma forma de recuperar os 5.860 megawatts de capacidade que serão perdidos com a desativação das usinas de Doel e Tihange.

Os partidos belgas também discutiram qual será a taxação adicional à Electrabel, que em 2009 aceitara pagar 215 a 245 milhões de euros por ano entre 2010 e 2014 pelo direito de operar as usinas.

O jornal econômico belga L'Echo informou neste mês que Elio Di Rupo, o líder socialista francófono que negocia atualmente a formação de um novo gabinete, queria cobrar 1 bilhão de dólares por ano do setor nuclear, dominado pela Electrabel.

(Reportagem adicional de Marie Mawad em Paris)

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