Partidos de oposição da Grã-Bretanha buscam acordo para governo

Os dois principais partidos de oposição da Grã-Bretanha se reuniram neste domingo para tentar sair do impasse, criado pelo resultado das eleições da semana passada, antes que o mercado financeiro perca a paciência.

AVRIL ORMSBY, REUTERS

09 de maio de 2010 | 10h18

O partido Conservador, de David Cameron, ganhou a maioria dos assentos no Parlamento nas eleições parlamentares de quinta-feira, mas não conseguiu um número suficiente de assentos para formar o governo e está buscando o apoio dos Lib Dems, os Liberais Democratas, de Nick Clegg, terceiro colocado.

O primeiro ministro Gordon Brown, cujo partido Trabalhista perdeu 91 assentos no Parlamento na votação, ocupa um distante segundo lugar, continua no posto, fazendo o papel de guardião. Ele também está buscando o apoio dos Lib Dems, caso o acordo entre eles e o partido conservador não se concretize.

Essa foi a primeira eleição, desde 1974 na qual nenhum partido consegue o controle absoluto, levando a uma busca por alianças e trocas pouco conhecido da política britânica.

Equipes do partido conservador e dos Lib Dems voltaram a se reunir nesta manhã, em mais uma tentativa de garantir um acordo que ponha um fim aos 13 anos de governo trabalhista.

Os dois lados garantem que não vão fazer nada às pressas, porém sabem que o mercado financeiro precisa de uma solução para deter o déficit orçamentário.

OBSTÁCULO

Michael Gove, porta voz do partido Conservador, disse que é importante ter boas notícias quando os mercados abrirem nesta segunda feira.

Ao ser perguntado se estava pronto a abrir mão de um possível cargo no novo ministério, para deixá-lo para um integrante dos Lib Dems, facilitando assim as negociações, Gove imediatamente respondeu que "sim".

O maior obstáculo para as negociações poderá ser a reforma eleitoral, um desejo antigo dos Lib Dems, que ganhariam muitos assentos se a Grã-Bretanha mudasse do modelo atual, em que o vencedor "leva tudo" para um sistema de representação proporcional.

Os conservadores se opõem fortemente à essa mudança. Já as pesquisas de opinião mostram que a população é a favor de um sistema de votos proporcional.

Gove explicou que não estão tentando manipular os Lib Dems, forçando-os a aceitar uma situação em que ficarão insatisfeitos com os resultados da coalizão.

"Queremos ter certeza que poderemos trabalhar juntos pelos próximos anos."

Já Clegg disse aos repórteres que "queria muito que os Lib Dems tivessem um papel construtivo, nesses tempos de grandes incertezas econômicas, para dar ao país o bom governo que ele merece."

Clegg e Cameron se encontraram neste sábado e os dois disseram que o encontro foi "construtivo e amigável".

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