Partidos rivais da Tunísia se preparam para 1a eleição livre

Os principais adversários na primeira eleição livre da Tunísia, após a queda de Zine al-Abidine Ben Ali, realizaram seus últimos comícios na sexta-feira, com islâmicos e seculares prometendo proteger as mulheres e representar a modernidade.

ANDREW HAMMOND E TAREK AMARA, REUTERS

22 Outubro 2011 | 11h00

Os tunisianos votarão para criar uma assembleia constituinte encarregada de escrever uma nova constituição e formar um novo governo interino antes das eleições presidencial e parlamentar esperadas para o próximo ano.

Anteriormente proibido, o partido islâmico Ennahda - cujo nome significa "renascença" - é visto como favorito no primeiro pleito depois que os tunisianos desencadearam em janeiro uma onde de levantes árabes, quando depuseram o homem cujos 23 anos no poder se basearam em eleições fraudulentas e políticas de segurança.

"O eleitor do Ennahda é moderado e pacífico, muçulmano e contemporâneo. Quer viver nesta era, mas com dignidade e como muçulmano," disse Rached Ghannouchi, líder do partido, a uma plateia de milhares de pessoas, reunida em um estádio localizado em um subúrbio de classe baixa de Túnis.

"Eles dizem que o Islã é o inimigo da democracia, das mulheres, da arte e da criatividade, mas vamos ampliar os direitos das mulheres. A Tunísia está segura em suas mãos, vocês são os protetores da revolução."

"O povo quer uma renascença novamente!," entoou a multidão, repetindo um dos principais bordões de uma campanha que reflete o desejo do Ennahda de se apresentar como um partido islâmico moderno nos moldes do Partido Justiça e Desenvolvimento da Turquia.

Proibida sob o governo de Ben Ali, a agremiação tem sofrido para apaziguar os temores de secularistas e de países ocidentais de que reprimiria os direitos das mulheres.

Muitas mulheres no evento não vestiam o véu muçulmano que a maioria dos movimentos islâmicos do mundo árabe exige que usem, entre elas Suad Abdel-Rahim, candidata do Ennahda que falou no comício.

"O Ennahda não é só um partido político, é a renovação da Tunísia por meio deste partido. A renovação da Tunísia não é possível sem o Ennahda. Tenho orgulho de estar em sua lista," disse ela, acrescentando que o partido exigirá do Ministério da Educação que os currículos promovam a identidade árabe e muçulmana da Tunísia.

Abdel-Rahim afirmou que Ben Ali usou as mulheres e o secularismo como ferramentas na repressão da oposição no estado policial. "Antes as mulheres eram só um número, era usadas somente para a propaganda," declarou.

No distrito de Ariana, nas cercanias de Túnis, o Partido Democrata Progressivo (PDP na sigla em inglês) disse ser o verdadeiro defensor da modernidade e das conquistas seculares diante do Ennahda.

Com um DJ em um palco tocando música pop, o comício projetou a imagem de juventude e progresso. "Sou jovem e o Ennahda não me representa. Amo o PDP" dizia um cartaz erguido por um jovem.

Mesmo que o Ennahda vença, observadores dizem que o sistema de representatividade proporcional usado na Tunísia pode limitar sua participação em cerca de 30 por cento dos votos, enquanto o PDP espera conseguir o que for possível acima dos 20 por cento.

Os dois partidos deram a entender a outros grupos políticos nos últimos dias que podem aceitar formar coalizões após a eleição.

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