Passa a receita do cozido, dona Laura?

Dona da Pousada da Alcobaça, em Petrópolis, Laura Góes conta em livro histórias e segredos de sua cozinha feita à base de produtos da serra

Olívia Fraga,

18 Junho 2009 | 09h37

"Cozinha é para dividir." Na vida de Laura Góes, dona da Pousada da Alcobaça, na Serra Fluminense, a frase vem lapidada por décadas de lida com as panelas e o público que frequenta seu reverenciado restaurante na região de Petrópolis. E ela continua a dividir: lança neste mês o livro A Cozinha da Alcobaça (Ed. Terceiro Nome). "As pessoas sempre me perguntam o segredo das receitas", diz Laura, carioca de prosa fácil. Na obra, ela compartilha seus truques e conta boas histórias. Ex-professora primária, escreve brincando. E isso transborda nas páginas do livro, que vem sendo escrito, de certa forma, desde antes de seu nascimento: sua irmã mais velha a presenteou com um caderno muito antigo, provavelmente de uma bisavó que morava num engenho de Pernambuco, no século 19. O livro serviu de inspiração com 232 receitas, que revelam uma incrível abundância de ingredientes, alguns até "de terra estranha", como nozes e avelãs. Laura herdou essa tradição culinária familiar e enriqueceu o repertório de forma natural. Aprendeu bastante nos anos em que morou nos Estados Unidos, na década de 50, e depois em São Paulo, época em que criou os três filhos. "É preciso ter público para aprender a cozinhar. Meus filhos e Mário, meu marido, eram os primeiros a provar as receitas", diz. Mais tarde, assumiu o casarão de Petrópolis, construído em 1914. Ela diz que o restaurante da pousada, aberto em 1992, foi um dos primeiros a oferecer ‘cuisine du terroir’ no Rio de Janeiro. "Faço quase tudo com ingredientes comprados nas cercanias", explica. Devagar, percebeu o farto material que tinha em mãos. Foram mais de 15 anos de gestação, entre leituras, pesquisas e rascunhos escritos com a letra caprichada de professora, a mesma que se vê na lousa do restaurante da Alcobaça. O computador chegou há menos de 3 anos e apressou a escrita. "Mas eu gostava de escrever à mão, como Shakespeare...", brinca.

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