Patchwork moderno

No eclético Mission District, casal faz do imóvel de época um mosaico arquitetônico para trabalhar e viver

David Kaufman, The New York Times

12 de outubro de 2010 | 11h00

 

 

Faz tempo que o Mission District, o bairro mais antigo de São Francisco, é considerado um lugar de experimentações, em áreas que vão do estilo de vida alternativo à culinária artesanal. E foi esse o espírito que o arquiteto Andrew Dunbar, de 45 anos, e sua mulher, a paisagista Zoee Astrakhan, de 43, imprimiram à sua casa.

 

 

Comprado em 2000 por US$ 350 mil, o imóvel abriga uma família em crescimento - o casal tem duas filhas, Anais, de 7 anos, e Miika, de 4 - e as instalações da Interstice Architects, dedicada ao design de produtos verdes. Quem vê a casa hoje não imagina que ela levou dez anos para ficar pronta, em uma reforma da fundação ao teto, que consumiu outros US$ 350 mil.

 

 

"Não tínhamos recursos suficientes para simplesmente finalizar a casa da noite para o dia", afirma Zoee. "Assim, tivemos de nos assentar e interagir com ela até nos sentirmos confortáveis." Parte do desafio foi encontrar uma forma de acomodar o ambiente de trabalho e o espaço de convivência da família.

 

 

A solução foi transformar o piso térreo, uma unidade comercial de 100 m², num escritório - espaço que agora também cumpre a função de ser o quarto de brinquedos das meninas. O ambiente é dominado por uma parede de correr de 15 m que serve como divisória entre os cômodos: de um lado, há a biblioteca, uma despensa, uma sala de reuniões e a cozinha. Do outro, há um jardim simples com um canteiro de grama nativa e um pequeno conjunto de bambus magros.

 

 

A fachada do escritório é composta por um mosaico de painéis de vidro, recuperados de construções próximas. "Fomos atraídos pela ideia de absorver o fluxo de entulho no nosso processo de montagem", diz Dunbar. "E isso confere à fachada algo de Mondrian."

 

 

No andar de cima fica o espaço ocupado pelos habitantes: uma área comum aberta, dois quartos e um banheiro com iluminação natural e paredes de plástico - "além de barato, ele é fácil de trabalhar e 100% reciclável", explica Dunbar. No corredor, as paredes de cores vivas levaram tinta magnética para permitir que funcionassem como quadros de avisos. Numa tarde recente, uma delas estava coberta de letras imantadas que Dunbar, nascido em Montreal, no Canadá, usa para ensinar francês às filhas.

 

 

A decoração é composta por uma mistura de peças dinamarquesas, colecionadas pela mãe do proprietário, somadas a uma dose generosa de móveis da Ikea e a itens personalizados, como um armário em forma de casulo e um sistema de prateleiras que leva em consideração a capacidade de alcance das crianças.

 

 

O melhor lugar da casa é também o menor: o jardim situado no telhado, que contém uma banheira aquecida e painéis solares. Além de proporcionar à casa um suprimento de energia, a família colhe do canteiro alimentos orgânicos e se refugia lá nos dias mais quentes. Apesar de a obra ainda não ter sido concluída, o telhado é uma amostra do progresso conquistado por Dunbar e Zoee na última década.

 

 

"Mesmo no inverno, conseguimos todo o calor de que precisamos usando apenas os painéis solares", diz ela. "É uma melhoria considerável, pois não tínhamos aquecimento nos primeiros dois anos que passamos aqui."

 

 

Tradução de Augusto Calil

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