Paulistanos visitam Campus Party sem saber o que é

Maior encontro de entretenimento eletrônico em rede do planeta, que acontece desde segunda-feira em São Paulo, a Campus Party atrai visitantes mais pelas inovações tecnológicas e jogos eletrônicos do que pelas discussões sobre a rede mundial de computadores e a troca de experiências de usuários. Muitos visitantes da área livre ao público em geral - Campus Futuro - nem ao menos sabe do que se trata a Campus Party. De acordo com a organização da Campus Party, são previstos cerca de 30 mil visitantes durante toda a semana do evento em São Paulo. Jovens e crianças, em sua maioria, foram atraídos por causa do Kung Fu virtual e de outros games interativos vistos em reportagens de TV. Este é o caso dos irmãos Vitor Rios Gedra, de 12 anos, e Vitor Aparecido Nunes Gedra, de 11. Os dois viram na televisão socos e chutes distribuídos no game Kick Ass Kung Fu, onde a pessoa é projetada para dentro de um cenário para lutar de verdade contra o presidente George W. Bush ou o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Eles também não sabem o que é a Campus Party, mas apenas que no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, "há vários jogos". "Fomos no Kung Fu e ainda queremos ir na bola e no carro", disse o Vitor mais velho, em referência a duas outras atrações, a Virtusphere - onde o jogador entra em um globo de ferro giratório que simula cenários virtuais - e o Racing Experience -, game de corrida em que o usuário dirige em uma réplica de um carro de corrida da Stock Car para jogar.O adolescente André Vieira Silva, de 14 anos, foi ao prédio da Bienal com dois amigos, todos atraídos pelos jogos eletrônicos em demonstração na Campus Party. "Meus amigos me avisaram que tinha um monte de jogos aqui. Eles estão por aí jogando. Mas o que eu mais gostei mesmo fui da sinuca. Estava lá até agora", afirmou o estudante.Já a professora de arte Marina Sigahi, de 48 anos, trouxe a filha Luciana, de 18, para uma "feira de tecnologia voltada à arte". "Viemos para um passeio cultural. Achei que estava tendo uma Bienal de algo sobre tecnologia voltada às artes plásticas", disse a professora. "A gente tem internet mas não acompanhamos tanto essas tecnologias novas. Isso para a gente não interessa muito."Teve ainda quem acreditou que a Campus Party era uma iniciativa governamental para incentivar a inclusão digital. "É um evento que mostra as novidades da informática e o governo está dando a oportunidade para estudantes conhecerem tudo isso", afirmou o relações públicas Frank Nishizaki, de 49 anos.''Para leigos''O casal de namorados Cássio Estevão, de 26 anos, e Renata Ventura, de 27, estavam a par dos acontecimentos da Campus Party. "Como somos do ramo da tecnologia, já estávamos informados sobre o evento", disse Estevão. Ele trabalha com desenvolvimento de softwares, e ela é designer. Ele disse que o que mais impressionou foi a velocidade de conexão de 5 gigabytes (Gb) por segundo - uma das novidades apresentadas no evento. "Gostei muito da internet de 5 Gb, que ainda quero ver funcionando em casa", afirmou.Porém, o casal lamentou não terem acesso às palestras e atividades restritas aos inscritos na Campus Party. "Não é tudo que nós esperávamos, porque na TV eles mostraram a parte lá de cima. Eu queria ver os casemods (computadores modificados, semelhante ao tuning de carros). Aqui é mais para leigos", disse a designer em referência a parte aberta ao público em geral.

WLADIMIR D?ANDRADE, Agencia Estado

16 de fevereiro de 2008 | 10h34

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