Peça em qualquer língua

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Os pacotões de lager industrial ainda dominam uma das faixas de território mais importantes no supermercado - a que fica entre o carrinho de compras e a caixa registradora. Mas estão perdendo espaço para uma legião estrangeira de fermentadas e algumas boas e desbravadoras receitas de microcervejarias.

Roberto Fonseca,

14 Março 2012 | 20h45

O aumento de interesse do público por cervejas diferentes fez os supermercados correrem atrás de novidades. O resultado é que hoje as redes oferecem tanto a bebida para o dia a dia como para ocasiões especiais.

Porém, se a oferta aumentou, ainda é preciso melhorar outros aspectos nas gôndolas. O principal é a informação. Divisão por estilos ou países seria um bom começo. E produtores facilitariam as coisas colocando no contrarrótulo informações como temperatura correta de serviço, tipo de copo adequado, que aromas e sabores o consumidor tende a sentir e sugestões de harmonização. Só teor alcoólico, volume e data de validade já não são suficientes.

Uma das vantagens que os supermercados oferecem é o preço. Você vai notar que as cervejas costumam ser estrategicamente colocadas perto dos vinhos - o que permite a comparação de preços, cara a cara. Belas cervejas tendem a custar menos que belos vinhos, mas esqueça a ideia de que cerveja é para ser barata e consumida em larga escala. Se o consumidor de vinhos, busca a melhor relação custo-benefício, por que o apreciador de cerveja deveria fazer diferente?

A principal desvantagem de comprar cervejas especiais no supermercado é que o consumidor precisa ter muita paciência e conhecimento para não se perder. Para tentar facilitar a vida de quem está perdido diante da grande oferta, o Paladar começa hoje uma série sobre o tema.

Nas próximas semanas, você vai acompanhar a prova e a avaliação de cervejas de estilos variados e rótulos de diferentes procedências. E vai conhecer as que vale colocar no carrinho e as que devem continuar na prateleira.

 

Heineken é uma premium american lager pela definição do Beer Judge Certification Program (BJCP), entidade que forma juízes cervejeiros nos EUA e publica guia de diretrizes de estilo da fermentada. Embora seja puro malte e pouco mais amarga que outras lagers industriais, ela fica abaixo das pilsens - alemãs e da Boêmia - em amargor. Se você quer avançar por essa seara, as opções seguem critério de mais carga de malte e mais lúpulo. Além das citadas ao lado, há a Bamberg Helles, 1795, Colorado Cauim, Czechvar, Hacker-Pschorr e Brooklyn Pilsen.

 

 

Erdinger, uma das primeiras importadas a chegar ao Brasil, ainda é a "cerveja de entrada" de muitos degustadores no mundo de aromas e sabores diferentes. O segmento de weissbiers, porém, cresceu bastante nos últimos anos, não só com marcas importadas, como também nas microcervejarias brasileiras. E já tem variantes à disposição, como as dunkelweizens, escuras, e weizenbocks, mais alcoólicas e com maior carga de malte. Também chegaram cervejas que levam trigo em sua composição vindas de outras escolas, como as witbiers belgas. Além das citadas ao lado, há nos mercados a Baden Baden Weiss, Divina Weiss, Colorado Appia, Maisels Original, Ustersbacher Hell, Paulaner, Franziskaner e Eisenbahn Weiss.

 

Guinness. Peça a um degustador referência em stout e há grande chance de a resposta ser Guinness. O mundo das cervejas com maltes escuros, porém, é mais amplo. Há stouts em seis variantes, da dry stout, como a Guinness, à imperial stout, mais potente e alcoólica. Há, ainda, porters, que têm afinidade com stouts, mas são de estilo distinto. O uso de café e chocolate em receitas visa a reforçar a sensação desses ingredientes na cerveja. Além das citadas ao lado, há nos mercados Baden Baden Stout, Hook Norton Double Stout, Wexford, Ola Dubh e Brewdog Paradoxx.

Notas frutadas e condimentadas são a marca das cervejas aqui. Com distribuição em boa parte das redes de supermercados, apesar de alguns momentos de inconstância, e relação custo-benefício interessante - na casa de R$ 5, rivaliza com a catarinense Eisenbahn Strong Golden Ale, a pouco mais de R$ 4 -, a Leffe é uma das opções de partida para receitas belgas. A categoria é bastante ampla, e engloba de blonde ales a dubbels, tripels, golden strong ales, dark strong ales e afins. Além das marcas citadas ao lado, vale a pena ainda degustar, entre rótulos de mercados, a famosa - e cara - Deus, a La Chouffe, Tripel Karmeliet, Maredsous, as trapistas Chimay e Orval e a holandesa Urthel.

 

Esta lista é para fãs de amargor. Um dos rótulos mais conhecidos da Colorado, microcervejaria de Ribeirão Preto, é esta india pale ale que leva rapadura em sua receita e tem notas cítricas e herbais de lúpulo, além de base de malte caramelo. Mas há mais lúpulo pela frente nas sugestões, em escala crescente e variada, com uma receita americana da Brooklyn, uma escocesa da Brewdog e um cruzamento de estilos vindo da Bélgica com a Chouffe.

Além das sugestões abaixo, podem ser encontradas em mercados outras cervejas com boa dose de lúpulo, como a vienna Eisenbahn 5, as inglesas Fullers India Pale Ale e Spitfire e outras variações da Brooklyn (a Lager) e da Brewdog (Punk IPA).

A malzbier faz cervejeiros experientes - e este que escreve - torcer o nariz: produzida por quase todas as grandes marcas industriais, como a Antarctica, é adocicada e escura, à base de caramelo. Qualquer produtor nacional já ouviu um cliente perguntar se sua cerveja escura era "docinha". Em grande parte, por influência da malzbier. Porém, mais do que reclamar, é preciso avançar. Se o adocicado é sua praia, vale a pena se enveredar pelo mundo das bocks, doppelbocks e barley wines. Mas prepare-se: há considerável carga alcoólica. Além das citadas ao lado, há nas gôndolas a La Trappe Bock, Baden Baden Bock, Eggenberg Doppelbock e Urbock, Samichlaus e Voll Damm.

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