Pecuarista investe em qualidade

PQNN ajuda criador a reduzir ciclo de produção e a melhorar aproveitamento de carcaça do rebanho

O Estado de S.Paulo

05 de março de 2008 | 03h02

Desde sua criação, em agosto de 2001, o Programa de Qualidade da Carne do Nelore Natural (PQNN), fruto de parceria entre a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e o Ministério da Agricultura (Mapa), abateu quase 4 milhões de cabeças, comercializou 60 mil toneladas de carne e contou com a participação de 7.153 pecuaristas. O programa é uma das ações desenvolvidas pela associação com objetivo de oferecer ao mercado um produto diferenciado, padronizado, com identificação de origem e qualidade comprovada."O PQNN é uma forma de ter um retorno da indústria, de comprovar se o que estamos fazendo da porteira para dentro está de acordo com o que o frigorífico quer", diz o agrônomo Danilo Ferreira Martins, técnico responsável da Parm Agropecuária, que entrou no programa em 2004. A fazenda, em Bataguassu (MS), faz todo o ciclo pecuário, cria, recria e engorda, com matrizes de alta genética. Atualmente, são 3.500 cabeças de nelore, com abate anual médio de 900 animais.O primeiro passo para melhorar a qualidade do rebanho, diz Martins, é investir em genética, com a compra de matrizes com características exigidas pela indústria, como precocidade e qualidade de acabamento e musculatura. Para acelerar o ciclo de produção de melhoramento genético animal, são identificados os genes para precocidade sexual. "Colocamos reprodutores jovens em novilhas de 16 a 18 meses. As que emprenharem são classificadas como precoces sexualmente. Com o uso intensivo deste material genético aumentamos a freqüência dos genes precoces em nosso rebanho", explica. Com isso, afirma, o ciclo de abate encurtou. A média de idade caiu de 36 para 25 meses.MELHORIASAlém do investimento em genética, Martins melhorou pastagem, sanidade e manejo. "Fazemos correção do pasto, rodízio de pastagem e até treinamento do pessoal que lida com o rebanho, tudo com foco no bem-estar animal", diz o criador. "Aumentamos a produção média por animal alojado e o giro de produção, reduzindo os gastos de produção."No geral, destaca o gerente de Produtos da ACNB, Lucas Ferriani, a idade média dos animais abatidos pelo programa caiu de 44 a 48 meses para 32 a 36 meses. Para fazer parte do PQNN, é preciso seguir o manual de qualidade do pecuarista, criado pela ACNB, que define as normas para o sistema de produção, inclusive com recomendações de manejo sanitário e bem-estar do animal.A bonificação dos frigoríficos parceiros do programa, entretanto, ainda é baixa. "Recebemos R$ 26 a mais por animal, o que dá R$ 1,45 por arroba", diz Martins. "Mas o investimento compensa porque, com ciclo de produção menor, ganhamos no volume produzido." Martins exemplifica: "Abatendo o animal com 25 meses e considerando o peso de 18 arrobas, em 10 anos produzimos 86,4 arrobas. Se o abate fosse com 36 meses, produziríamos 60 arrobas."

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