Pecuarista prefere continuar rastreando

Criadores aguardam fim de embargos internacionais para receber mais pela arroba

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2008 | 03h06

O pecuarista Wilson Brochmann, da Agropecuária Maragogipe, com quatro fazendas em Mato Grosso do Sul e uma no Rio Grande do Sul, não deixou de investir em suas propriedades e em seu rebanho de 30 mil cabeças, mesmo depois dos embargos internacionais à carne produzida em MS, conseqüência dos focos de febre aftosa em 2005. Pelo contrário. Além de o grupo ser um Estabelecimento Rural Aprovado no Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Eras), também é certificado pelo Eurepgap (certificado de boas práticas elaborado e exigido por grandes varejistas europeus).''''Nossa grande colocação de carne é no mercado interno, mas estamos prontos, esperando que Mato Grosso do Sul seja reabilitado a exportar para a UE'''', diz. Antes da aftosa, recorda, o grupo vendia para a UE. ''''Acredito que a carne rastreada será bastante valorizada quando a Europa voltar a comprar. Ainda mais se o número de fazendas autorizadas for mesmo reduzido''''O que incentiva produtores como ele a ordenar a produção para atender às exigências européias é justamente o valor pago pelo produto. Para ter-se idéia, a receita brasileira com exportação de carne bovina in natura é de US$ 3,48 bilhões/ano. A União Européia, apesar de ser a segunda maior compradora em volume, é responsável pela maior parcela em receita, 31,2%, ante 27,8% da Rússia, a maior compradora em volume.''''Meu gado sempre foi valorizado. Duas semanas antes do embargo, a diferença entre o gado rastreado e não rastreado chegou a R$ 10 por arroba'''', diz o pecuarista João Gustavo Rebello de Paula, de Montes Claros (MG). Seu rebanho de 7 mil cabeças é rastreado e a propriedade está cadastrada no Eras. ''''Toda a nossa produção vai para frigoríficos que exportam, principalmente para a Europa.''''Minas exporta 35% da sua produção de carne bovina para a Europa. Com o embargo, os frigoríficos voltaram a pagar só o preço referente a animais não rastreados. ''''Além disso, o preço da arroba teve redução significativa. Vínhamos numa fase de recuperação de prejuízos e o embargo interrompeu'''', reclama Rebello. ''''Só não foi catastrófico porque a oferta está enxuta.''''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.